
O chapecoense Fernando Schmaedecke, de 42 anos, está há 10 dias parado na Aduana de Uspallata, na Província de Mendonça, Argentina, por causa da nevasca que atinge o local. Ele é caminhoneiro há 20 anos e, desta vez, transporta uma carga frigorífica do Brasil para o Chile. A viagem começou no sábado (11), com chegada na Aduana na terça-feira (14) e segue por tempo indeterminado. O complexo fronteiriço Paso Los Libertadores foi fechado devido ao risco provocado pelo acúmulo de neve e pelas baixas temperaturas A espera faz parte da rotina de quem trabalha na rota, mas segundo Fernando, não há memória recente de precipitação de neve como esta.
“A situação aqui é aparentemente, pelo tempo fora de casa, meio injusta, mas tranquila”, Fernando comenta que a Aduana de Uspalatta é precária num geral, mas é possível tomar banho quente num posto de combustível com o pagamento de um valor. Os próprios caminhoneiros levam comida, há geladeira e possibilidade de cozinhar no local. Aos poucos, conforme o alimento vai chegando ao fim, a distância de aproximadamente 5km da cidade de Uspallata facilita a reposição para àqueles que estão na região, “na beira da estrada é muito mais complicado”, afirma Schmaedecke, que passou por situações como essa.
Entre os caminhões parados há motoristas de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e de diversas regiões do Brasil, todos aguardando que o clima permita a reabertura do principal acesso terrestre entre os dois países. No local onde Fernando está parado, há cerca de 620 caminhões, e apesar do termômetro atingir -9°C, é um dos lugares menos afetados. A imprensa Argentina afirma que a neve ultrapassa os 5m de altura em alguns pontos, principalmente nas proximidades de Punta de Vacas. Em toda a região, estimativas da Gendarmeria Argentina apontam entre três e quatro mil veículos retidos.
A Aduana de Uspallata
A aduana de Uspallata funciona como um ponto de controle para caminhões que seguem em direção ao Chile pela Cordilheira dos Andes. O local concentra veículos enquanto aguardam autorização para subir a serra quando as condições climáticas permitem.
Quando há previsão de neve intensa, gelo sobre a pista ou risco de acidentes, autoridades da Argentina e do Chile fecham temporariamente o Passo Internacional Los Libertadores. A medida evita que caminhões fiquem presos em regiões de maior altitude, onde as temperaturas podem atingir vários graus negativos.
A rotina
Não há previsão para liberação do trecho, mas a estimativa é de que na primeira semana de agosto as condições climáticas estejam normalizadas. Enquanto isso, Fernando diz que a rotina segue marcada pela espera, marcada por rodas de chimarrão, conversas, momentos para comer, dormir e ajudar colegas motoristas quando necessário, no caso de algum caminhão apresentar problemas.
O Sindicato dos Caminhoneiros de Mendoza também vem prestando apoio aos profissionais, distribuindo refeições, pão e água potável aos motoristas que permanecem retidos. Fernando salienta ainda, que “o que nos conforta sempre é ligar para casa, e saber que está tudo bem com a nossa família”.







