
⚡ Em Resumo:
- O que é: Investigações da Polícia Federal apontam que um arquivo referente a um contrato entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e o Banco Master foi editado pelo usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
- Números principais: O contrato previa R$ 3 milhões líquidos por mês durante 36 meses, com valor bruto de R$ 3,64 milhões por parcela e total de R$ 131,2 milhões. Foram pagas 22 parcelas, somando R$ 80,2 milhões.
- Onde: A alteração registrada nos metadados ocorreu em um arquivo do Office 365, às 23h04 de 15 de janeiro de 2024.
- Quem afeta: O caso envolve Alexandre de Moraes, sua esposa e advogada Viviane Barci de Moraes, o escritório Barci de Moraes, Daniel Vorcaro e o Banco Master.
O que os metadados da PF apontam sobre o contrato?
Investigações da Polícia Federal apontam que um documento relacionado ao contrato de prestação de serviços advocatícios entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e o Banco Master sofreu alterações registradas sob o usuário “Ministro Alexandre de Moraes”.
Segundo os dados obtidos pela PF a partir do celular de Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, a alteração ocorreu às 23h04 de 15 de janeiro de 2024, em um arquivo do Office 365.
O escritório Barci de Moraes confirmou que Alexandre de Moraes acessou e editou a versão final do contrato.
Quando começou a negociação entre o escritório e Daniel Vorcaro?
A negociação começou em 11 de janeiro de 2024. Na ocasião, Viviane Barci de Moraes enviou pelo WhatsApp, a partir de seu telefone pessoal, uma primeira versão da minuta contratual para Daniel Vorcaro.
Quatro dias depois, na noite de 15 de janeiro, o empresário devolveu o arquivo com marcas de revisão e uma nova cláusula incluída.
De acordo com os metadados analisados pela Polícia Federal, a edição associada ao usuário “Ministro Alexandre de Moraes” foi registrada às 23h04 daquele dia, cerca de uma hora e 40 minutos depois do envio feito por Vorcaro.
Qual era o valor do contrato com o Banco Master?
O contrato previa a prestação de serviços advocatícios durante 36 meses. O escritório receberia R$ 3 milhões líquidos por mês.
Como havia uma cláusula que isentava a banca do pagamento de impostos, o valor bruto de cada parcela chegava a R$ 3,64 milhões. Com isso, o compromisso financeiro total previsto no documento era de R$ 131,2 milhões.
Os pagamentos começaram em fevereiro de 2024. Até o fim de 2025, foram quitadas 22 parcelas, que totalizaram R$ 80,2 milhões.
Por que Alexandre de Moraes editou o documento?
Segundo o escritório Barci de Moraes, o acesso e a edição ocorreram após uma solicitação do setor de compliance da própria banca.
A justificativa apresentada foi verificar se havia algum impedimento legal para a contratação, incluindo eventual existência de processos no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria de Alexandre de Moraes ou participação do ministro em julgamentos de interesse do possível cliente.
O escritório afirmou que, diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de impedimento legal, o contrato foi assinado e os serviços foram prestados.
O que diz o escritório de Viviane Barci de Moraes?
Em manifestação divulgada à reportagem, o escritório afirmou que Alexandre de Moraes foi consultado na condição de marido de Viviane Barci de Moraes e que o procedimento fazia parte da análise de compliance da banca.
Segundo o escritório, o ministro informou não haver impedimento legal, uma vez que, conforme a manifestação, ele jamais havia julgado causa envolvendo o Banco Master.
O que aconteceu com os pagamentos do contrato?
Os pagamentos foram realizados regularmente a partir de fevereiro de 2024 e chegaram a 22 parcelas, somando R$ 80,2 milhões até o final de 2025.
O fluxo de pagamentos foi interrompido em novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
No mesmo período, Daniel Vorcaro foi preso preventivamente no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai, no contexto das investigações policiais.
De onde vieram as informações sobre a edição do documento?
As informações foram obtidas pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Compliance Zero, a partir de arquivos e mensagens encontrados no celular de Daniel Vorcaro.
A identificação da alteração foi feita por meio dos metadados do Office 365. O sistema registra informações como autor, data e horário das modificações nos arquivos.
A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou sobre o caso, segundo a reportagem que divulgou as informações.
Fonte: Metropoles







