
A China confirmou a suspensão das importações de carne de aves provenientes de Santa Catarina. A medida afetará 14 estabelecimentos catarinenses habilitados a exportar para o país asiático, após a identificação de um foco da Doença de Newcastle em uma granja no Oeste catarinense.
A informação foi confirmada à CNN Brasil nesta terça-feira (20) pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Augusto Billi.
Segundo o secretário, o governo brasileiro atuou diplomaticamente para limitar o alcance das restrições. Por meio da embaixada brasileira em Pequim, o Ministério da Agricultura solicitou que o embargo fosse restrito a quatro municípios catarinenses ou, no máximo, ao território de Santa Catarina. O objetivo era evitar uma suspensão nacional das exportações.
Restrição atinge 23% dos exportadores habilitados
De acordo com os dados apresentados pelo Ministério da Agricultura, o Brasil possui atualmente 61 estabelecimentos habilitados a exportar carne de aves para a China. Com a medida, 14 unidades serão afetadas, o equivalente a aproximadamente 23% do total.
Entre janeiro e setembro de 2026, a China foi responsável por cerca de 10% das exportações brasileiras de carne de frango, o equivalente a 420 mil toneladas, conforme dados oficiais.
O alcance regional do embargo representa uma diferença em relação a outras medidas sanitárias adotadas por parceiros comerciais do Brasil. Segundo Billi, a suspensão imposta pelo México atinge todo o território nacional, enquanto a União Europeia aplica restrições regionais.
Doença de Newcastle foi identificada no Oeste catarinense
O embargo ocorre após a detecção de um foco da Doença de Newcastle em uma granja de perus no Oeste de Santa Catarina. A enfermidade é viral e pode afetar os sistemas respiratório, nervoso e digestivo das aves.
O secretário também citou o episódio registrado em 2024, em Anta Gorda, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, a China levou 26 dias para limitar ao estado gaúcho uma restrição inicialmente aplicada a todo o território brasileiro e outros 17 meses para retirar completamente a medida.
A duração do embargo atual dependerá dos desdobramentos sanitários e das negociações entre os governos brasileiro e chinês.







