
Sob o rigor da nova regulamentação federal, o mercado de apostas esportivas no Brasil consolida uma tendência clara em 2026: a drástica redução das barreiras de entrada para captar novos usuários. Se até pouco tempo atrás era necessário desembolsar R$20, R$30 ou até R$50 para realizar um primeiro depósito, hoje o cenário é outro. Com apenas uma nota de cinco reais (ou até menos) o apostador brasileiro já consegue acesso a centenas de opções, incluindo algumas das maiores casas do país.
O exemplo recente mais emblemático desta mudança de rumo é a Betano, atual líder de mercado. Em um movimento agressivo, a operadora reduziu seu depósito mínimo via Pix de R$20 para apenas R$5.
A estratégia, contudo, não é isolada. De acordo com um levantamento realizado pelo portal especializado SitedeApostas.com, existem atualmente mais de 50 casas de apostas licenciadas operando com depósito mínimo de apenas R$1, além de outras tantas que aceitam aportes de até R$5.
Os números indicam que o baixo valor de entrada deixou de ser apenas um detalhe operacional para se tornar um diferencial competitivo (USP). Muitas marcas, inclusive, passaram a utilizar a facilidade do “depósito de troco” como peça central em suas campanhas publicitárias. No entanto, essa facilidade acende um alerta entre especialistas da indústria.
Flexibilidade ou risco social?
A redução dos valores divide opiniões. Por um lado, a medida é vista como uma ferramenta de flexibilidade e defesa do consumidor. Ao permitir depósitos de R$5, as plataformas possibilitam que o usuário utilize a lógica do “pagar para ver”, testando a qualidade do serviço, o suporte e a agilidade do saque sem comprometer uma fatia relevante do seu orçamento. Para o jogador recreativo, isso viabiliza a gestão de bancas pequenas para entretenimento puro, focando em apostas de centavos que prolongam o tempo de diversão sem gerar grandes perdas financeiras.
Por outro lado, críticos alertam que a estratégia visa a massificação do acesso, atingindo classes econômicas de baixa renda (C, D e E), para as quais um depósito de R$50 seria proibitivo. Ao baixar a régua para o preço de um café, as empresas removem a barreira psicológica do “gasto”, inserindo o hábito de apostar no cotidiano de milhões de brasileiros que antes estavam à margem desse mercado.
A expectativa é que a tendência se acentue ao longo de 2026, com cada vez mais plataformas a ajustarem seus limites para a faixa entre R$1 e R$5 na tentativa de garantir sua fatia no concorrido mercado nacional.







