Beto Carrero World comemora nascimento dos primeiros filhotes de tigre branco no Brasil - ClicRDC | Notícias de Chapecó e do mundo

Beto Carrero World comemora nascimento dos primeiros filhotes de tigre branco no Brasil

O animal era o favorito de Alexandre Murad, o Beto Carrero, por isso ter exemplares no zoo era algo importante para a equipe

Veterinários e biólogos do zoo do Beto Carrero World, em Penha, comemoram o nascimento da primeira ninhada de tigres brancos reproduzidos em cativeiro no Brasil. Radesh, Indra e Indira – dois machos e uma fêmea – estão prestes a completar três meses, e já podem ser vistos pelo público.

Tigres brancos no Beto Carrero World (foto: Guma Miranda, Divulgação)

A chegada dos filhotes foi mantida em sigilo enquanto a mãe, Amal, se adaptava com a nova função. As primeiras semanas foram observadas de perto pelos técnicos, em regime de plantão, para garantir o entrosamento entre a tigresa e os bebês.

A adaptação não é simples. A bióloga Kátia Cassaro, coordenadora do zoo, diz que, no mundo animal, mães de “primeira viagem” abandonam os filhotes com facilidade. Por isso, em nascimentos raros como este, é necessário estar atento para intervir se for necessário.

Amal deu sinais de inexperiência. Vez ou outra derrubava ou tropeçava nos tigrinhos – tudo observado de perto pela equipe do zoo. Mas, aos poucos, encaixou-se no papel de mãe.

“Criamos os filhotes na mamadeira quando as mães rejeitam e não querem. Se ela resolve tomar conta, ninguém cria melhor do que ela” diz Kátia.

Favorito de Murad

Tigres brancos no Beto Carrero World (foto: Guma Miranda, Divulgação)

Reproduzir tigres brancos em cativeiro foi um desafio. O animal era o favorito de Alexandre Murad, o Beto Carrero, por isso ter exemplares no zoo era algo importante para a equipe. Kátia pesquisou durante dois anos, em todo o mundo, um macho e duas fêmeas que tivessem a mesma idade e o menor grau de parentesco possível, para que pudessem procriar.

Ravi, o pai dos filhotes, veio de um zoo na Alemanha e chegou em dezembro de 2016. Três meses depois chegaram as fêmeas, Amal e Rahny, vindas de um zoo da Argentina. Tigres são animais solitários e territorialistas, por isso foi necessário um período de quatro meses de adaptação para que os três pudessem viver juntos.

Havia outro empecilho: desde 2008, uma normativa do Ibama determina que todos os felinos que estão em zoos no Brasil passem por vasectomia, para evitar a distribuição de animais em circos. Para conseguir reproduzir, o parque precisou de uma autorização especial do órgão ambiental, depois de ter apresentado um plano de manejo.

Separados dos adultos

Desde o início, os técnicos perceberam que Amal era a favorita de Ravi. Os dois brincavam e dormiam juntos, então não foi surpresa que ela tenha sido a primeira a ficar prenha. Mas, quando a gestação se confirmou, foi necessário separar Amal para que os filhotes não corressem riscos.

“Na natureza, a fêmea se separa do macho e cria os filhotes sozinha” explica a bióloga.

Por enquanto, mamãe e filhotes seguirão isolados dos outros dois tigres adultos. Amal deve voltar ao recinto quando os bebês completarem um ano, e não dependerem mais tanto dela. Quando isso acontecer, os tigrinhos também terão que ser separados. O recinto que fica ao lado do atual será adaptado para receber os novos moradores.

Este não é o primeiro nascimento raro de felinos no Beto Carrero World. Em 2015 Clara, o primeiro filhote de leão-branco nascido em cativeiro no país, virou a principal atração do zoo.

Tigres brancos (Foto: Guma Miranda, Divulgação)

Curiosidades

​- Os filhotes de tigre branco já estão desmamando e experimentam novos sabores. A alimentação diária são porções de carne ou frango, enriquecidas com suplementos como cálcio e taurina

– Tigres brancos são da espécie tigre-real -de-bengala, natural da Índia. Eles não são albinos, mas a cor dificulta a vida na selva

– Apenas uma reserva no mundo, que fica na Índia, tem alguns tigres brancos vivendo na natureza

– O Beto Carrero World foi o primeiro zoo do país a ter tigres brancos. São Paulo e Brasília também importaram espécimes, mas ainda não tiveram êxito na reprodução

​*Informações Diário Catarinense