
A raiva dos herbívoros voltou a acender o alerta no estado, caso recente ocorreu no mês de julho no extremo-oeste
2026 já registra mais de 20 mortes de bovinos causados pela raiva bovina em animais, tal fator acendeu alerta junto à Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). A doença é considerada fatal e também pode ser transmitida aos seres humanos.
O caso mais recente foi confirmado no Extremo-Oeste, no município de Itapiranga, na comunidade de Linha Presidente Becker. Uma vaca leiteira adulta morreu no dia 12 de julho e exames laboratoriais confirmaram a presença do vírus da raiva. Santa Catarina é considerada uma área endêmica para a raiva dos herbívoros, o que significa que o vírus circula no ambiente e pode provocar novos casos. Segundo a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, a ocorrência não representa, neste momento, uma situação fora da normalidade, mas exige atenção dos produtores, “É sempre um momento de prestar atenção para os cuidados”, destaca. Entre as principais medidas está a vacinação dos animais, especialmente nas propriedades onde há casos confirmados e também nas áreas do entorno.
Morcegos estão entre os principais transmissores
A transmissão da raiva dos herbívoros ocorre principalmente pela saliva de animais infectados. Em Santa Catarina, os morcegos hematófagos, conhecidos popularmente como morcegos-vampiros, estão entre os principais responsáveis pela disseminação do vírus entre os rebanhos. Esses animais podem se deslocar entre diferentes propriedades, aumentando o risco de transmissão. Um dos sinais que podem indicar a presença de morcegos hematófagos são feridas com sangue escorrido nos animais, provocadas pelas mordidas. Por isso, a orientação é comunicar a Cidasc sempre que forem identificados sinais da presença desses morcegos ou qualquer suspeita de raiva no rebanho.
Sintomas apresentados pelos animais exigem atenção dos produtores
Os primeiros sinais da doença podem incluir perda de apetite, salivação excessiva, dificuldade para caminhar, falta de coordenação motora e isolamento do animal em relação ao restante do rebanho. Com a evolução da doença, o bovino pode apresentar paralisia progressiva, principalmente nos membros posteriores, até cair e não conseguir mais se levantar. Em alguns casos, são observados movimentos involuntários das patas, conhecidos como “movimento de pedalagem”.
O médico-veterinário, Fábio Ferreira, responsável pelo Programa de Controle da Raiva e Encefalopatias Transmissíveis da Cidasc, reforça que qualquer suspeita deve ser comunicada, mesmo quando o produtor não tem certeza de que se trata da doença. “A gente está pronto para ajudar, fazer a avaliação daquele animal e, se for o caso, colher material para ver se é um caso de raiva ou não”, explica. O médico veterinário explica que a confirmação da doença é feita por meio de exame laboratorial de material coletado do cérebro do animal após a morte.
Doença também é um risco para as pessoas
Além dos prejuízos ao rebanho, a raiva preocupa por ser uma zoonose, ou seja, doença que pode ser transmitida dos animais para os seres humanos. Por isso, o contato com animais que apresentem sintomas suspeitos deve ser evitado. A orientação da Cidasc é não tocar, medicar ou realizar qualquer procedimento no animal por conta própria. O produtor deve manter o bovino isolado, impedir o contato de outros animais, como cães e gatos, e comunicar imediatamente o escritório local da Cidasc.
Celles Regina de Matos aponta que a vacinação do rebanho é considerada uma das principais formas de prevenção. Fábio esclarece que a identificação de possíveis abrigos de morcegos, como árvores ocas, casas abandonadas, telhados e porões, também merece atenção.
A raiva dos herbívoros permanece presente no ambiente catarinense. Para a Cidasc, a combinação entre vacinação, monitoramento dos animais, controle dos morcegos hematófagos e comunicação rápida de casos suspeitos é fundamental para evitar a disseminação da doença e proteger tanto os rebanhos quanto a população.




