
⚡ Em Resumo:
- O que é: O mercado de trigo em Santa Catarina enfrenta um cenário de preços abaixo dos níveis de 2025 e custos elevados de produção.
- Números principais: O preço da saca de 60 kg passou de R$ 67,49 em junho para R$ 69,15 em julho. A área cultivada deve cair 35,7%, para 67,2 mil hectares.
- Onde: A produção catarinense de trigo se concentra principalmente no Oeste, Meio Oeste e Planalto Norte.
- Quem afeta: A situação impacta principalmente os produtores de trigo, que enfrentam margens menores, além de moinhos e consumidores ligados à cadeia do cereal.
O mercado de trigo começa o segundo semestre de 2026 sob pressão em Santa Catarina. Embora o preço recebido pelos produtores tenha apresentado recuperação em julho, o valor ainda está abaixo do registrado no ano passado e não tem sido suficiente para compensar os custos de produção.
Os dados são do Observatório Agro Catarinense, da Epagri/Cepa. O cenário também contribuiu para uma forte redução da área destinada ao cultivo do cereal no Estado.
Por que a área de trigo deve diminuir em Santa Catarina?
A área cultivada com trigo na safra 2026/27 deve recuar 35,7% em Santa Catarina, passando de 104,5 mil para 67,2 mil hectares. Segundo a Epagri/Cepa, essa será a menor área destinada ao cereal no Estado nos últimos seis anos.
A produção está estimada em 240,5 mil toneladas, queda de 37,2% em relação à safra anterior.
Segundo o analista da Epagri/Cepa João Alves, a combinação de preços abaixo dos níveis registrados em 2025 com os custos elevados dos insumos reduziu as margens dos produtores e influenciou a decisão de diminuir o plantio.
Quanto o produtor está recebendo pela saca de trigo?
O preço médio recebido pelo produtor catarinense pela saca de 60 quilos passou de R$ 67,49 em junho para R$ 69,15 em julho. A alta foi de 2,5% no período.
Apesar da recuperação, o valor ainda ficou 8,1% abaixo dos R$ 75,27 registrados em julho de 2025.
A Epagri/Cepa avalia que existe espaço para sustentação das cotações, mas fatores do mercado devem limitar uma valorização mais forte.
O que pode influenciar o preço do trigo nos próximos meses?
Entre os fatores que podem sustentar os preços estão a menor produção brasileira e os riscos climáticos nas principais regiões produtoras do Sul.
Por outro lado, os estoques mantidos pelos moinhos, as importações, a baixa liquidez no mercado físico e o avanço da colheita no Hemisfério Norte podem limitar uma alta mais expressiva.
O mercado internacional também influencia as cotações. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção mundial de 819,97 milhões de toneladas, queda de 2,8%, enquanto o consumo deve crescer 0,2%.
Como estão as lavouras de trigo em Santa Catarina?
Na primeira semana de agosto, toda a área prevista para o cultivo do trigo em Santa Catarina já havia sido semeada.
Do total plantado, 92% das lavouras apresentavam boas condições e 8% estavam classificadas como regulares. Cerca de 6% da área já havia alcançado a fase de floração.
As principais regiões produtoras são o Oeste, o Meio Oeste e o Planalto Norte de Santa Catarina.
Como está a produção de trigo no Brasil?
A produção brasileira também deve apresentar redução em 2026. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma colheita de 6 milhões de toneladas, volume 23,5% menor que o registrado na safra anterior.
A redução da produção nacional pode ajudar a sustentar os preços, mas a disponibilidade de trigo importado e outros fatores do mercado devem continuar influenciando as cotações ao longo dos próximos meses.
Fonte: Cristiele Deckert / Epagri/Fapesc







