sexta-feira, junho 12, 2026
InícioAgriculturaPesquisa da Epagri quer garantir produção de mudas de morango mais baratas...

Pesquisa da Epagri quer garantir produção de mudas de morango mais baratas e de alta qualidade

Confira;

Foto: Divulgação

Todo agricultor sabe que o sucesso da produção passa pelas sementes e mudas da espécie cultivada. Para atender uma demanda dos produtores brasileiros de morango, a Estação Experimental da Epagri em Urussanga, no Sul do estado, iniciou uma pesquisa com o objetivo de desenvolver um sistema de produção nacional de mudas de morango de alta qualidade e com custos reduzidos.

O estudo tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapesc) e está sendo coordenado pelo engenheiro-agrônomo e pesquisador da Epagri, Francisco Olmar Gervini de Menezes Júnior. São colaboradores o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense em Rio do Sul e a Universidade Estadual de Londrina (UEL-RR). O prazo para conclusão da pesquisa é abril de 2028. 

O resultado do estudo pode mudar uma realidade bastante controversa para os produtores nacionais de morango. Segundo Gervini, hoje o Brasil é dependente de cultivares desenvolvidos principalmente nos Estados Unidos, na Espanha e na Itália. A grande maioria das mudas importadas vem do Chile, da Argentina e da Espanha, que produzem as plantas sob pagamento de royalties para os países de origem dos cultivares. 

- Continua após o anúncio -

Qualidade baixa, custos elevados

Neste cenário, as mudas de morango chegam aos produtores nacionais com valores bastante elevados, em torno de R$ 2,20 a unidade (2024). Um levantamento da Epagri mostra que os gastos só com as mudas chegam a R$220 mil por hectare em cultivos no solo e R$246,4 mil por hectare em cultivos fora do solo (semi-hidropônicos e hidropônicos). A evasão de divisas com a importação é de R$300 milhões. 

Santa Catarina tem mais de 1500 produtores de morango (Foto: Fabrícia Duarte/Arquivo Pessoal)

Há viveiristas nacionais, mas os produtores de morango se queixam da má qualidade das plantas. Segundo Gervini, existem casos de agricultores que chegaram a comprar 50% de unidades a mais para compensar o alto índice de mudas que acabam morrendo. Por conta disso, muitos preferem importar, apesar dos custos elevados e de problemas logísticos, como a entrega fora do período recomendado para o plantio. 

As estatísticas mais recentes estimam que haja mais de 1,5 mil propriedades que cultivam morango em Santa Catarina. O valor de produção agropecuária da fruta no estado gira em torno de R$100 milhões anuais. Para Gervini, há espaço no mercado de morango tanto para o incremento dos atuais negócios quanto para o surgimento de novos empreendimentos. 

“O desenvolvimento de um sistema de produção nacional de mudas de morango vai permitir o surgimento de viveiristas nacionais com produção de alta qualidade, a disseminação de cultivares nacionais e a aquisição de mudas pelos agricultores a um menor preço e no momento correto de transplante. Isso trará benefícios a toda a cadeia produtiva do morangueiro”, projeta o pesquisador.

Plantas vigorosas e sadias

O casal de produtores Fabrícia Duarte Silva e Vilson Silva, de Içara, no Sul do Estado, cultiva morango há nove anos e costuma comprar as mudas da Argentina e da Espanha. “O preço subiu bastante, pagamos R$ 2.390,00 o milheiro. Trocamos oito mil pés neste ano, então, foram quase R$ 20 mil só em mudas, um investimento para dois, no máximo três anos, tempo em que fizemos a troca das plantas”, conta Fabrícia. 

Ao todo, o casal tem 13 mil pés de morango, uma lavoura considerada pequena, segundo a agricultora. Ela diz que já procurou viveiros nacionais, mas observou que os valores não diferem muito das mudas importadas. Além disso, prefere não arriscar já que a qualidade das plantas que têm comprado é boa e teme fazer a troca de fornecedor e ter problemas com sanidade. “Aqui no município já teve um produtor que perdeu mais de 200 mil mudas”.

Produtora Fabrícia Duarte Silva, de Içara, compra as mudas da Argentina e da Espanha (Foto: Arquivo Pessoal)

Pesquisas constantes

A Epagri é pioneira no desenvolvimento do cultivo semi-hidropônico do morangueiro em Santa Catarina. Desde 2015, a empresa vem investindo nessa modalidade, que já representa 72% da produção de morango no estado. As vantagens são otimização da mão de obra, maior controle no manejo de água e nutrientes e redução da incidência de doenças e pragas e do uso de agrotóxicos. 

Até o momento, as pesquisas da Epagri se concentraram nas etapas relacionadas ao sistema de produção das lavouras de morango. Foram feitos estudos para definir o melhor espaçamento entre as plantas, os substratos mais adequados e o correto manejo nutricional de diferentes cultivares de morango. Além disso, em parceria com a UEL-PR estão sendo registrados dois novos cultivares junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

Esses novos cultivares são fruto de uma parceria da Epagri com a Rede Morangos do Brasil, da qual a empresa faz parte. A instituição engloba mais de 16 organizações de renome nacional e internacional. Com a atual pesquisa, o objetivo é possibilitar o acesso dos produtores de morango a mudas produtivas, e frutos de qualidade (com melhor aroma e sabor) e com menor preço. 

No momento, os pesquisadores vão avaliar genótipos desenvolvidos no Brasil, Uruguai,  Estados Unidos e Itália. Os estudos vão levar em consideração a produção, a qualidade dos frutos (sabor) e a questão fitossanitária. “Pretende-se que as mudas de alta qualidade cheguem aos agricultores com custo 50% inferior aos praticados atualmente, reduzindo a dependência de genótipos estrangeiros e o custo de produção”, afirma Gervini.

Por ASCOM

Publicidade

Notícias relacionadas

SIGA O CLICRDC

147,000SeguidoresCurtir
120,000SeguidoresSeguir
13,000InscritosInscreva-se

Participe do Grupo no Whatsapp do ClicRDC e receba as principais notícias da nossa região.

*Ao entrar você está ciente e de acordo com todos os termos de uso e privacidade do WhatsApp