terça-feira, julho 21, 2026
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Brasil já utilizou quase 80% da cota de exportação de carne bovina para a China

Frigoríficos reduzem embarques e ajustam a produção para evitar que cargas ultrapassem o limite anual estabelecido pelo mercado chinês


⚡ Em Resumo:

  • O que é: Brasil se aproxima do limite da cota anual de exportação de carne bovina para a China.
  • Números principais: 872,2 mil toneladas já internalizadas, equivalente a 78,86% da cota de 1,106 milhão de toneladas.
  • Onde: Exportações do Brasil para a China.
  • Quem afeta: Frigoríficos, pecuaristas, exportadores e o mercado brasileiro de carne bovina.

O Brasil já utilizou 78,86% da cota anual de exportação de carne bovina para a China, principal destino da proteína brasileira. Segundo dados divulgados pelo governo chinês, até junho foram internalizadas 872,2 mil toneladas de carne bovina in natura, de um total autorizado de 1,106 milhão de toneladas.

Com o avanço das exportações, representantes do setor avaliam que a cota está praticamente esgotada e já adotam medidas para evitar que novos embarques ultrapassem o limite estabelecido.

Como funciona a cota de exportação para a China?

A China permite que o Brasil exporte até 1,106 milhão de toneladas de carne bovina com tarifa de importação de 12%.

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Caso esse volume seja ultrapassado, os embarques ficam sujeitos a uma sobretaxa de 55%, além da possibilidade de devolução da carga ou atraso no desembaraço aduaneiro.

Por que os frigoríficos estão reduzindo os embarques?

Embora o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) registre 774,1 mil toneladas exportadas neste ano, o governo chinês contabiliza 872,2 mil toneladas já internalizadas, considerando cargas embarcadas ainda em 2025 e liberadas na China ao longo de 2026.

Além disso, cerca de 227,7 mil toneladas já embarcadas seguem em trânsito para o país asiático, reduzindo praticamente todo o espaço restante da cota.

Diante desse cenário, frigoríficos habilitados para exportar à China diminuíram o ritmo dos abates, concederam férias coletivas e, em alguns casos, realizaram ajustes no quadro de funcionários. A produção de cortes destinados exclusivamente ao mercado chinês também foi interrompida no fim de junho.

Quando a cota deve ser totalmente preenchida?

A expectativa do mercado é que o governo chinês anuncie ainda nesta semana o atingimento de 80% da cota brasileira. Já o limite total deverá ser alcançado durante o mês de agosto.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), as exportações brasileiras para a China devem ficar próximas de 900 mil toneladas em 2026. A previsão é de retomada da produção destinada ao mercado chinês em outubro, com novos embarques a partir de novembro, já voltados para a cota de 2027.

Como está a situação dos demais países exportadores?

Enquanto o Brasil se aproxima do limite anual, outros grandes fornecedores ainda utilizam apenas parte de suas cotas.

Os Estados Unidos exportaram apenas 876 toneladas, o equivalente a 0,53% do volume autorizado. A Nova Zelândia atingiu 29% da cota, o Uruguai 25,4% e a Argentina utilizou cerca de 47% do limite disponível.

A Austrália, por outro lado, já ultrapassou sua cota anual, com parte das exportações entrando no mercado chinês acima do volume permitido.

Analistas avaliam que, após o esgotamento da cota brasileira, países como Argentina, Uruguai e Nova Zelândia poderão ampliar sua participação no mercado chinês durante o restante do ano.

Fonte: Globo Rural

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