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Governo reforça investigação de violência política após eleições de 2026

Balanço federal reúne 45 ocorrências e 47 vítimas, incluindo 10 mortes; Polícia Federal e outros órgãos devem atuar na apuração dos casos

Foto: X/Cláudio Castro

O governo federal anunciou, na quarta-feira (28), o reforço das investigações de casos de violência política registrados no Brasil após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O balanço apresentado pelas autoridades reúne 45 ocorrências e 47 vítimas, incluindo 10 mortes.

Os episódios foram registrados entre sábado (24) e domingo (25), após a divulgação do resultado que confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).

As medidas foram detalhadas pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e por representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Segundo o governo, os casos serão encaminhados aos órgãos responsáveis conforme a natureza de cada denúncia.

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Quantos casos de violência política foram registrados após as eleições?

O levantamento apresentado pelo governo federal contabiliza 45 ocorrências, com 47 vítimas. A relação inclui diferentes tipos de violência, desde homicídios e agressões físicas até denúncias envolvendo atuação policial e comunidades indígenas.

O balanço está dividido da seguinte forma:

  • 10 vítimas fatais, incluindo três indígenas;
  • sete vítimas de atropelamentos intencionais;
  • 14 vítimas de agressões físicas, espancamentos e esfaqueamentos;
  • cinco vítimas de disparos e atentados com armas de fogo;
  • cinco vítimas de violência e coação contra povos indígenas;
  • seis vítimas de abusos de autoridade e violência policial.

De acordo com Guilherme Boulos, as denúncias envolvem apoiadores do presidente Lula como vítimas e pessoas ligadas ao campo político de Flávio Bolsonaro como supostos autores. A responsabilidade individual e a motivação de cada ocorrência dependem da apuração das autoridades.

Quais estados concentram mais ocorrências de violência política?

Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina estão entre os estados com maior número de ocorrências registradas no levantamento federal.

Os casos envolvem diferentes circunstâncias e precisam ser investigados individualmente. Em algumas situações, há suspeitas de motivação política; em outras, a relação entre a violência e a disputa eleitoral ainda precisa ser comprovada.

Como o governo pretende investigar os casos?

O governo federal anunciou a abertura de inquéritos pela Polícia Federal (PF) para apurar crimes eleitorais, violência política de gênero e violações de direitos humanos que estejam dentro de sua competência.

As denúncias também poderão ser encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), além das corregedorias das Polícias Civis e Militares e dos Ministérios Públicos estaduais, especialmente quando houver suspeita de participação de agentes públicos.

O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ademar Borges, afirmou que as ocorrências envolvem diferentes tipos de crimes, como homicídios, lesões corporais, racismo e violência política de gênero. Segundo ele, dezenas de inquéritos já haviam sido instaurados.

O governo também vai atuar contra ataques nas redes sociais?

Sim. O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que pretende reforçar o combate à violência praticada no ambiente digital, com atenção a conteúdos que envolvam crimes graves, discriminação e discursos de ódio.

A atuação anunciada considera as regras do Marco Civil da Internet e o decreto presidencial citado pelas autoridades, que estabelece obrigações para as plataformas digitais diante de determinadas categorias de conteúdo ilícito.

Segundo Ademar Borges, as empresas responsáveis pelas redes sociais devem adotar medidas para retirar conteúdos abrangidos pelas regras e prevenir falhas sistêmicas. A aplicação das obrigações depende do enquadramento jurídico de cada situação.

Quais episódios de violência política ganharam repercussão?

Entre os casos mencionados está o ataque contra a vereadora Iara Pimentel (PT), de Montes Claros, em Minas Gerais. Ela ficou gravemente ferida após ser atingida durante um ato político realizado no sábado (24). Segundo os relatos divulgados, o veículo de som em que estava foi alvo de garrafas, tijolos e outros objetos.

Outro caso ocorreu no Paraná, onde Eliseu Pedrozo dos Santos, de 38 anos, morreu após ser atropelado durante as comemorações pela vitória de Lula. Segundo a imprensa local, um motorista embriagado avançou contra um bloqueio policial e atingiu quatro homens. O condutor foi preso, e o teste do bafômetro apontou 0,67 miligrama de álcool por litro de ar expelido.

Também no Paraná, uma pesquisadora identificada como Renata Kempf foi detida durante uma comemoração favorável a Lula, em frente a um bar universitário. Participantes denunciaram uso excessivo da força policial, situação que exige apuração pelas autoridades competentes.

Em Santos, no litoral paulista, o engenheiro Marcelo de Oliveira da Rocha, de 30 anos, morreu após ser espancado na madrugada de sábado. Ele voltava de um ato político e usava um adesivo de apoio a Lula. A Polícia Civil investiga o caso como latrocínio, roubo seguido de morte, e a motivação política ainda não foi comprovada.

Qual é a denúncia envolvendo povos indígenas em Mato Grosso do Sul?

Uma das denúncias apuradas envolve um possível envenenamento da água em território dos Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, após as eleições presidenciais. A suspeita foi divulgada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e pela deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG).

Segundo a denúncia, um áudio compartilhado pelo WhatsApp conteria uma ameaça contra os indígenas, com referência à possibilidade de matá-los por meio da água. A veracidade do material e as circunstâncias do caso precisam ser verificadas pelas autoridades responsáveis.

O que diz o governo sobre a responsabilização dos envolvidos?

Guilherme Boulos afirmou que os episódios não podem ser justificados pela disputa eleitoral e defendeu a responsabilização dos envolvidos. O ministro destacou que divergências políticas não podem servir de pretexto para agressões ou assassinatos.

O governo informou que pretende acompanhar as investigações e articular a atuação dos órgãos federais e estaduais. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias de cada ocorrência, identificar os responsáveis e verificar se houve motivação política nos crimes denunciados.

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