


O Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio nos primeiros dez dias de outubro de 2026, um aumento de 271% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 372 registros. Os dados são do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Do total identificado até 10 de outubro, 1.186 focos ocorreram em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em locais cuja situação fundiária não foi definida. Também foram registrados 246 focos em áreas de assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação.
O levantamento aponta ainda 174 focos classificados como relacionados ao desmatamento. Para os demais registros, o painel não apresenta uma causa identificada.
O Corpo de Bombeiros informou que atua em 33 municípios no combate direto aos incêndios. Entre as áreas atingidas estão localidades rurais de Itacoatiara, Careiro da Várzea, Parintins e Boa Vista do Ramos.
Em Itacoatiara, um incêndio atingiu a região do Lago do Canaçari e é investigado como criminoso. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que oito suspeitos de provocar queimadas em diferentes localidades da zona rural haviam sido identificados. Um deles é suspeito de envolvimento no incêndio do Canaçari. Os casos serão encaminhados à Polícia Civil do Amazonas e ao Ministério Público do Amazonas.
Na região do Jacarezinho, também em Itacoatiara, a área queimada soma 256,71 hectares, o equivalente a aproximadamente 360 campos de futebol.
Fumaça prejudica a qualidade do ar
Além da destruição da vegetação, os incêndios provocam uma densa camada de fumaça que encobre cidades do Amazonas e compromete a qualidade do ar. Em Manaus, a concentração de partículas chegou a 209,1 microgramas por metro cúbico na manhã de sábado (10), segundo dados do monitoramento ambiental.
O índice ficou 736,4% acima do limite de 25 microgramas por metro cúbico utilizado pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), como referência para uma boa qualidade do ar.
A situação também preocupa em municípios do interior. Em Itacoatiara, a concentração de partículas chegou a 2.016,1 microgramas por metro cúbico por volta das 6h. A Defesa Civil municipal emitiu um alerta recomendando o uso de máscaras ao sair de casa e orientou a população a evitar a exposição à fumaça.
Em Careiro, o índice alcançou 121,4 microgramas por metro cúbico. Já em Careiro da Várzea, chegou a 144,1 microgramas por metro cúbico.
Moradores relataram dificuldades para respirar, irritação na garganta, crises alérgicas e problemas para dormir. Os efeitos preocupam principalmente pessoas com doenças respiratórias e idosos, que podem ser mais vulneráveis à exposição à fumaça.
Com o avanço das queimadas, as equipes de combate seguem mobilizadas em diferentes municípios do Amazonas, enquanto autoridades investigam possíveis incêndios criminosos e os impactos ambientais provocados pelo fogo.
Fonte: G1 Amazonas






