
Três anos após o ataque de 7 de outubro de 2023, ex-reféns israelenses ainda lidam com as marcas deixadas pelo período em cativeiro. Sobreviventes relatam que passaram a valorizar momentos simples de liberdade enquanto tentam retomar suas vidas.
O ataque liderado pelo Hamas foi o mais letal da história de Israel. Na ocasião, homens armados invadiram comunidades, um festival de música e bases militares, matando cerca de 1.200 pessoas e levando 251 reféns para Gaza.
O que aconteceu com os reféns após o ataque de 7 de outubro?
Entre os sequestrados estavam civis, soldados, homens, mulheres, crianças e idosos, além de israelenses e estrangeiros. A maioria dos reféns foi libertada durante acordos de trégua que envolveram a troca por prisioneiros palestinos, enquanto dezenas não sobreviveram ao período em cativeiro.
Entre os sobreviventes estão Emily Damari, de 30 anos, e Emily Hand, de 11. As duas foram sequestradas em diferentes comunidades durante os ataques de 7 de outubro.
Como Emily Damari tenta reconstruir a vida após o cativeiro?
Emily Damari foi sequestrada ferida de sua casa no kibutz Kfar Aza e libertada em janeiro de 2025. Durante o ataque, ela foi baleada e perdeu dois dedos.
Após retornar do cativeiro, Damari passou a usar o gesto de levantar a mão ferida como um símbolo. Recentemente, ela se casou e também lançou uma marca de roupas em Israel.
A ex-refém afirma que manter novos projetos e atividades ajuda a direcionar a atenção para o presente e a reconstruir sua vida após o trauma.
Como Emily Hand está lidando com as lembranças do cativeiro?
Emily Hand tinha apenas oito anos quando foi sequestrada do kibutz Beeri. Ela permaneceu 50 dias como refém em Gaza antes de ser libertada.
Atualmente, o surfe se tornou uma das formas encontradas pela menina para lidar com as lembranças daquele período. Ela participa de sessões de surfe terapêutico na praia de Zikim, no sul de Israel, promovidas pela organização HaGal Sheli.
Emily descreve o mar como um espaço em que consegue se desconectar das lembranças dolorosas e se sentir mais forte.
O trauma ainda afeta a rotina de Emily Hand?
Sim. Mesmo três anos após o sequestro, Emily relata que ainda sente medo do escuro e de ficar sozinha durante a noite. Em algumas ocasiões, acorda após sonhos relacionados aos acontecimentos de 7 de outubro e procura dormir ao lado do pai.
Apesar disso, ela afirma perceber mudanças em si mesma desde o período em que foi sequestrada. A menina diz que ainda não consegue superar tudo o que viveu, mas acredita ter conseguido enfrentar muitas das dificuldades.
Como os ex-reféns estão tentando retomar a vida?
Os relatos de Emily Damari e Emily Hand mostram diferentes caminhos encontrados por sobreviventes para seguir em frente. Enquanto Damari investiu no casamento e em uma marca de roupas, Emily encontrou no surfe uma atividade que lhe proporciona momentos de tranquilidade.
As duas seguem convivendo com lembranças do cativeiro, mas também buscam recuperar a autonomia e aproveitar a vida após a libertação.







