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El Niño: Embrapa orienta produtores para excesso de chuva no Sul e seca em outras regiões

Recomendações incluem planejamento do plantio, conservação do solo, armazenamento de água e escolha de cultivares adaptadas ao clima


O avanço do El Niño previsto para o ciclo 2026/2027 exige mudanças no planejamento da atividade agropecuária. A Embrapa elaborou uma série de recomendações para produtores de diferentes regiões do Brasil, levando em conta os impactos esperados do fenômeno.

Enquanto áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste devem enfrentar períodos de menor chuva, temperaturas elevadas e risco de déficit hídrico, o Sul do país pode ter precipitações mais intensas e concentradas. O cenário aumenta a preocupação com encharcamento do solo, erosão, doenças e dificuldades durante o plantio e a colheita.

Entre as medidas indicadas pela Embrapa estão o uso do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), escolha de cultivares adaptadas, escalonamento da semeadura, conservação do solo e planejamento das reservas de água e alimentação para os animais.

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O que a Embrapa recomenda para o agro durante o El Niño?

A orientação geral é antecipar decisões e acompanhar regularmente as previsões meteorológicas. A Embrapa recomenda que o produtor utilize informações oficiais para definir épocas de plantio, culturas e variedades mais adequadas ao comportamento esperado do clima.

Também é indicado manter estruturas de armazenamento de água, proteger o solo e garantir reservas de forragem para períodos de maior dificuldade.

As recomendações fazem parte de um conjunto de 163 medidas elaborado pelo Grupo de Trabalho sobre o El Niño, criado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. O trabalho contou com cerca de 50 profissionais da Embrapa e especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Como o El Niño pode afetar o agronegócio no Sul?

No Sul, a previsão é de chuvas mais intensas e concentradas, principalmente entre setembro e dezembro. O excesso de água pode provocar encharcamento, erosão, perda de nutrientes e dificuldades para a realização de atividades no campo.

Para trigo e outros cereais de inverno, a Embrapa recomenda o uso de cultivares mais resistentes a doenças e ao acamamento, além do escalonamento da semeadura e do planejamento antecipado da colheita, secagem e armazenamento.

Nas lavouras de soja e milho, a orientação é manter o solo protegido, adequar a densidade de semeadura, monitorar doenças e garantir uma drenagem superficial eficiente.

No milho, o parcelamento da adubação nitrogenada também pode ajudar a reduzir perdas de nutrientes provocadas pela lixiviação.

Quais cuidados os produtores de Santa Catarina devem ter?

Para os produtores catarinenses, as recomendações voltadas ao Sul ganham importância diante da possibilidade de períodos com chuva acima do normal. O manejo da água deve fazer parte do planejamento desde o início da safra.

A Embrapa recomenda considerar a microbacia hidrográfica no planejamento das propriedades, especialmente para controlar o escoamento da água e reduzir os impactos de eventos extremos.

A proteção do solo, a drenagem adequada e o acompanhamento das condições climáticas também podem ajudar a diminuir prejuízos em períodos de chuva intensa.

O que é esperado para o Centro-Oeste durante o El Niño?

No Centro-Oeste, o principal risco apontado pela Embrapa é a falta de chuva. Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal podem registrar atraso e irregularidade das precipitações na primavera, seguidos por chuvas abaixo da média, veranicos e ondas de calor no verão.

O período mais crítico para a seca deve ocorrer entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Para soja e milho, a recomendação é respeitar as janelas de plantio do Zarc, utilizar cultivares com melhor desempenho diante de seca e calor e escalonar a semeadura. Se houver atraso significativo no plantio da soja, o produtor deve reavaliar a implantação do milho segunda safra, considerando alternativas como sorgo e milheto.

Quais são os riscos para o Nordeste e o Norte?

No Semiárido nordestino, a orientação é antecipar a formação de reservas. A previsão indica maior probabilidade de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas no fim de 2026, aumentando os riscos de déficit hídrico, ondas de calor e queimadas.

Entre as medidas indicadas estão a ampliação da captação e do armazenamento de água, além do uso de cisternas, barreiros-trincheira, barragens subterrâneas, captação de chuva e sistemas de reuso.

No Norte, a expectativa é de redução e maior irregularidade das chuvas, temperaturas elevadas e queda dos níveis dos rios. A situação pode afetar a produção agropecuária, o transporte de insumos e alimentos e o abastecimento de água.

Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima estão entre os estados que podem registrar os déficits hídricos mais severos.

Como o Sudeste deve se preparar para o El Niño?

O Sudeste deve apresentar diferenças dentro da própria região. São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais podem ter chuvas acima da média entre outubro e dezembro, enquanto o norte de Minas Gerais, o norte do Espírito Santo e o norte fluminense tendem a condições mais secas.

As temperaturas devem ficar acima da média em toda a região.

Para o café, a Embrapa recomenda atenção especial às fases de floração e enchimento dos grãos, previstas para o fim de 2026 e início de 2027. A conservação da umidade do solo e práticas para enfrentar o calor e o déficit hídrico estão entre as medidas indicadas.

Por que o produtor deve acompanhar as previsões climáticas?

O comportamento do El Niño pode variar entre regiões e ao longo da safra. Por isso, a Embrapa recomenda acompanhamento contínuo das previsões e revisão do planejamento sempre que houver mudanças nas condições climáticas.

A escolha da época de plantio, das cultivares, do manejo da água e das estratégias de conservação do solo pode fazer diferença na capacidade da propriedade de enfrentar períodos de seca ou excesso de chuva.

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