
O que aconteceu com o Ibovespa nesta segunda-feira?
O Ibovespa disparou nesta segunda-feira (5) e superou pela primeira vez a marca de 200 mil pontos. Perto das 14h, o principal índice da Bolsa brasileira avançava 8,46%, aos 208.360 pontos, renovando o recorde histórico.
O desempenho ocorre após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Flávio Bolsonaro (PL) terminou a primeira etapa da disputa à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), resultado que levou investidores a reverem suas apostas para o segundo turno.
O recorde anterior do Ibovespa havia sido registrado em 14 de abril, quando o índice encerrou o pregão próximo dos 198 mil pontos.
Por que o mercado reagiu ao resultado das eleições?
A diferença entre o desempenho de Flávio Bolsonaro nas urnas e as expectativas apontadas por parte das pesquisas eleitorais levou o mercado financeiro a recalibrar suas projeções para o segundo turno.
Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Os dois voltam a disputar a Presidência em 25 de outubro.
Analistas avaliam que uma eventual vitória do candidato do PL poderia provocar mudanças na condução da política fiscal. A perspectiva ajudou a explicar a forte valorização do real e de ativos brasileiros nesta segunda-feira.
A reação começou antes mesmo da abertura da Bolsa no Brasil. Ativos brasileiros negociados no exterior também registraram ganhos, e o EWZ, fundo de índice que acompanha ações brasileiras nos Estados Unidos, chegou a subir mais de 10%.
Como o dólar se comportou após o primeiro turno?
O dólar também reagiu ao resultado eleitoral e caiu 4,28% perto das 14h, cotado a R$ 4,9920. Durante o pregão, a moeda chegou a atingir a mínima de R$ 4,9530.
Na sexta-feira (2), o dólar havia recuado 0,08%, encerrando o dia em R$ 5,2158.
Os juros futuros, que refletem as expectativas do mercado para a taxa básica nos próximos meses e anos, também registravam queda nos contratos de prazo mais longo.
Quais ações mais subiram na Bolsa?
O setor financeiro liderava os ganhos entre as empresas que compõem o Ibovespa. Perto das 14h, as ações da B3 avançavam 24,68%, enquanto os papéis do BTG Pactual subiam 25,39%.
Banco do Brasil registrava alta de 12,77%, Bradesco avançava 14,61% e Itaú tinha valorização de 11,53%.
Entre outras empresas de grande peso no índice, Petrobras subia 9,58%. Na direção oposta, Vale recuava 2,45%.
O que mostram as novas projeções para a economia brasileira?
O relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, mostrou que a expectativa do mercado para a inflação de 2026 voltou a superar 5%.
A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,99% para 5,01%. Foi a terceira semana consecutiva de alta na estimativa.
Para 2027, a previsão caiu de 4,31% para 4,30%, enquanto a projeção para 2028 permaneceu em 3,80%. A meta oficial de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
O mercado também reduziu a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa para 2026 caiu de 1,86% para 1,85%. Para 2027, passou de 1,41% para 1,40%.
Já a projeção para a taxa Selic permaneceu em 13,50% ao ano no fim de 2026 e em 12% no encerramento de 2027.
Como está a atividade do setor de serviços no Brasil?
O setor de serviços brasileiro registrou contração em setembro, segundo o Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgado nesta segunda-feira.
O indicador calculado pela S&P Global caiu de 50,5 pontos em agosto para 49,2 em setembro. Leituras abaixo de 50 indicam retração da atividade.
Foi a queda mais intensa desde outubro de 2025. O levantamento apontou redução na atividade, no emprego e nos novos pedidos.
Apesar disso, as empresas consultadas demonstraram maior otimismo em relação aos próximos meses, diante da expectativa de melhora das condições econômicas após a eleição presidencial.
Como estão os mercados internacionais?
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street operavam em alta. Perto das 14h, o Dow Jones avançava 0,15%, enquanto o S&P 500 subia 0,65% e o Nasdaq Composite tinha alta de 0,84%.
Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 fechou com valorização de 0,4%. O DAX, da Alemanha, subiu 0,09%, e o FTSE 100, do Reino Unido, avançou 0,34%. O CAC-40, da França, teve queda de 0,80%.
Na Ásia, o movimento também foi majoritariamente positivo. O Nikkei, do Japão, subiu 2,40%; o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,28%; e o Taiex, de Taiwan, ganhou 2,55%.
Os mercados asiáticos foram influenciados, entre outros fatores, pelo maior otimismo em relação às ações ligadas à inteligência artificial.







