
Como o agronegócio saiu das eleições de 2026?
O agronegócio chega à próxima legislatura com uma estrutura política capaz de exercer forte influência no Congresso Nacional. O resultado das eleições de 2026 preservou parte importante do núcleo ligado à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na Câmara dos Deputados e ampliou a presença de parlamentares com trajetória no setor no Senado.
Antes da eleição, a FPA reunia cerca de 355 parlamentares. Mais de 75% dos integrantes disputaram a reeleição. A composição definitiva da frente para 2027 ainda será formada, mas o resultado das urnas manteve uma base expressiva de deputados ligados às pautas do agro.
O número de integrantes, porém, não significa que todos votem da mesma maneira. A força da FPA está justamente na capacidade de reunir parlamentares de diferentes partidos em torno de temas específicos.
O que mudou para o agro no Senado?
A mudança foi mais significativa no Senado, já que duas das três cadeiras de cada estado estavam em disputa. O resultado levou para a Casa nomes com experiência na Câmara, no Executivo e na produção rural.
Em Mato Grosso, Carlos Fávaro encerra o mandato, enquanto Wellington Fagundes permanece no Senado até 2031. As duas vagas em disputa ficaram com Mauro Mendes, ex-governador do estado, e Zé Medeiros, que retorna à Casa após já ter exercido o mandato de senador.
Em Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina continua no Senado até 2031. A ex-ministra da Agricultura terá ao lado Reinaldo Azambuja, produtor agropecuário e ex-governador, e Capitão Contar.
No Espírito Santo, Evair de Melo foi eleito senador. Na Câmara, ele acumulou atuação em temas como seguro rural, cooperativismo e produção.
No Tocantins, Eduardo Gomes foi reeleito e Alexandre Guimarães conquistou a outra vaga. O deputado federal e produtor agropecuário também leva para o Senado uma trajetória ligada à produção e ao desenvolvimento regional.
Já no Rio Grande do Sul, Luis Carlos Heinze deixa o Senado. Hamilton Mourão permanece até 2031, enquanto as duas vagas disputadas ficaram com Sanderson e Marcel van Hattem. O resultado altera o perfil da bancada gaúcha, mas não representa necessariamente uma ampliação da representação direta do agronegócio, já que os novos senadores não têm a mesma trajetória setorial de Heinze.
Por que a Câmara continua importante para o agronegócio?
Na Câmara dos Deputados, o núcleo ligado ao agro permanece forte. No Paraná, nomes como Pedro Lupion e Luiz Nishimori continuam entre os representantes do setor.
Lupion, presidente da FPA, ampliou a atuação da frente para além das pautas diretamente relacionadas à agricultura. A estrutura passou a participar também de articulações envolvendo o comando da Câmara e a formação de maiorias.
Nishimori, que presidiu a Comissão de Agricultura em 2026, tem atuação histórica em produção e defensivos agrícolas. Sperafico também acumula experiência na Câmara e em relatorias de interesse do setor.
A influência, porém, não depende apenas das votações em plenário. Presidências de comissões, relatorias e negociações para alterar projetos antes da votação também são espaços importantes de poder.
Parlamentares ligados ao agronegócio ainda ocupam posições em áreas como Minas e Energia e infraestrutura, que têm impacto direto sobre a produção rural por envolverem combustível, energia, fertilizantes, ferrovias, rodovias e portos.
Quais partidos concentram a força política do agro?
A representação do agronegócio está distribuída por diferentes siglas. PL, PP, União Progressista, Republicanos e PSD concentram parte importante dos parlamentares ligados ao setor.
O PL tende a formar um núcleo mais ideológico e de oposição em temas como propriedade, segurança no campo e legislação ambiental. PP e União Progressista, por outro lado, têm peso nas negociações para a formação de maiorias no Congresso.
O Republicanos também ganha espaço com nomes como Evair de Melo, enquanto o PSD mantém parlamentares com atuação relevante na pauta agrícola.
Essa distribuição permite ao agronegócio exercer influência mesmo quando o governo eleito não estiver diretamente alinhado ao setor. A articulação passa pelos próprios partidos e pelas negociações necessárias para construir uma base parlamentar.
Qual será o primeiro grande desafio do agro no Congresso?
O orçamento deve estar entre as primeiras grandes disputas. Plano Safra, seguro rural, crédito, renegociação de dívidas, infraestrutura e defesa agropecuária dependem de recursos públicos e, consequentemente, de negociação política.
A discussão sobre as dívidas rurais em 2026 já mostrou a capacidade de mobilização da FPA. A frente pressionou por mudanças na proposta defendida pelo governo e levou o tema ao centro da agenda do Congresso.
A partir de 2027, uma bancada fortalecida poderá repetir essa estratégia em outras pautas de interesse do setor.
Quais pautas devem gerar mais disputa em 2027?
As questões ambientais também devem permanecer entre os principais pontos de conflito. Marco temporal, licenciamento ambiental, regularização fundiária, defensivos agrícolas e regras de produção devem continuar em debate.
A discussão ainda tem reflexos comerciais. Exigências ambientais e de rastreabilidade podem afetar o acesso de produtos brasileiros a mercados internacionais.
Uma bancada ruralista forte, portanto, não significa que todas as propostas defendidas pelo setor serão aprovadas. O principal efeito é aumentar a capacidade de negociação do agronegócio na definição das regras.
Com a nova composição do Congresso, o próximo presidente deverá negociar não apenas com a Frente Parlamentar da Agropecuária, mas também com os partidos que levam as pautas do setor para dentro das coalizões de governo.







