
Como as urnas eletrônicas ficaram mais acessíveis nas Eleições 2026?
A Justiça Eleitoral ampliou os recursos de acessibilidade das urnas eletrônicas para as Eleições 2026. As mudanças buscam facilitar a votação e aumentar a autonomia de pessoas com deficiência, incluindo eleitores cegos, com baixa visão e deficiência auditiva.
Entre as novidades estão uma nova fonte tipográfica, telas de votação redesenhadas e uma barra de progresso, que permite acompanhar visualmente as etapas do voto. Recursos já conhecidos, como áudio, teclado em braile e Libras, também continuam disponíveis.
Quantas pessoas com deficiência estão aptas a votar em Santa Catarina?
Em Santa Catarina, 49.177 pessoas com deficiência estão aptas a votar nas Eleições 2026, segundo dados das Estatísticas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Desse total, 34.556 eleitores têm voto obrigatório, enquanto 14.621 possuem voto facultativo.
Em todo o Brasil, dados preliminares do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam cerca de 15 milhões de pessoas com deficiência.
Quais são os novos recursos de acessibilidade das urnas em 2026?
A urna eletrônica passou por mudanças para facilitar a leitura e o acompanhamento da votação. A tipografia foi atualizada, com características que favorecem a visualização por pessoas com baixa visão.
As telas também foram reorganizadas e ganharam uma barra de progresso. O recurso permite que o eleitor acompanhe visualmente em qual etapa da votação está.
Além das novidades, permanecem recursos como teclado com identificação em braile, marcação da tecla 5, sistema de áudio e interações em Libras.
Como funciona o áudio para pessoas cegas ou com baixa visão?
O sistema de áudio oferece orientações sonoras durante a votação. Com um fone de ouvido fornecido pela Justiça Eleitoral, o eleitor consegue acompanhar as instruções e as teclas digitadas.
O volume e a velocidade da fala podem ser ajustados diretamente no teclado da urna. É possível aumentar ou diminuir o volume e deixar a orientação sonora mais rápida ou mais lenta.
A marcação da tecla 5 também auxilia na localização das demais teclas, funcionando como uma referência para o eleitor durante a votação.
É possível usar o áudio mesmo sem ter solicitado atendimento especial antes?
Sim. Mesmo que o eleitor não tenha informado previamente a necessidade de atendimento especial, o recurso de áudio pode ser solicitado no local de votação.
Nesse caso, a presidência da mesa pode habilitar o sistema antes da liberação para o voto. O fone utilizado é fornecido pela Justiça Eleitoral e conectado à urna pela mesária ou pelo mesário. O eleitor não deve utilizar fone próprio.
Quais recursos estão disponíveis para eleitores com deficiência auditiva?
As urnas eletrônicas contam com recursos de Libras, a Língua Brasileira de Sinais, para ampliar as possibilidades de comunicação durante a interação com o equipamento.
A Justiça Eleitoral também ampliou o uso de intérpretes de Libras em diferentes momentos de interação com a urna, facilitando o acesso às informações para eleitores com deficiência auditiva.
O eleitor precisa informar a deficiência antes da eleição?
A orientação da Justiça Eleitoral é que o eleitor informe sua condição ao cartório eleitoral para que sejam avaliadas as necessidades de atendimento.
O prazo para atualização do cadastro terminou em 20 de agosto, mas a necessidade de atendimento especial ainda pode ser comunicada ao mesário no dia da votação.
Além disso, a Justiça Eleitoral realiza vistorias nos locais de votação para identificar e corrigir possíveis barreiras de acessibilidade.
Como funciona o programa Seu Voto Importa?
Outra iniciativa mencionada pela Justiça Eleitoral é o programa “Seu Voto Importa”, que prevê a articulação de alternativas de transporte para eleitores que necessitem desse apoio.
A solicitação pode ser feita à zona eleitoral ou à Ouvidoria, conforme as orientações da Justiça Eleitoral.
Como a urna eletrônica mudou a experiência de eleitores cegos?
Professor, músico e ativista da causa da pessoa com deficiência, João Batista de Paula, conhecido como João de Paula, vota desde 1986 e acompanhou as transformações do sistema eleitoral brasileiro.
Cego desde o nascimento e alfabetizado em braile, ele conta que, no início de sua trajetória como eleitor, utilizava uma folha adaptada com nomes e números dos candidatos sobreposta à cédula. A escolha era indicada por meio de um pequeno furo no papel.
Segundo João, o método não garantia independência nem o sigilo do voto, já que era necessário contar com outra pessoa para auxiliar no processo.
Com a chegada da urna eletrônica e do sistema de áudio, ele passou a conseguir acompanhar a votação e confirmar os números digitados sem depender de outra pessoa.
“Com a urna eletrônica ficou toda a vida. Hoje a gente consegue votar com autonomia.”
Para João, votar representa participação na democracia e possibilidade de reivindicar mudanças na sociedade.
Por que a acessibilidade também está relacionada à participação política?
A acessibilidade eleitoral permite que pessoas com deficiência exerçam o direito ao voto com maior autonomia. Para João de Paula, a escolha dos representantes também está relacionada à possibilidade de cobrar políticas públicas que atendam às necessidades desse público.
Ele cita, entre outras questões, a necessidade de cidades mais acessíveis, com calçadas adequadas e condições para ampliar a circulação das pessoas com deficiência.
Na avaliação do ativista, muitas dificuldades enfrentadas por esse público estão relacionadas às barreiras criadas pela própria sociedade.
“Para mim, votar é sinônimo de cidadania, é sinônimo de participação, é sinônimo de protagonismo.”
Quais mudanças ainda são necessárias para ampliar a inclusão?
João de Paula considera que houve avanços nas últimas décadas, mas afirma que ainda existem barreiras a serem superadas.
Ele também destaca que a própria linguagem utilizada para se referir às pessoas com deficiência mudou ao longo do tempo. Termos usados no passado foram substituídos pela expressão “pessoa com deficiência”, em uma mudança associada à compreensão de direitos, autonomia e participação social.
Para ele, a possibilidade de votar de forma independente representa parte desse processo.
“Quando nos dão a possibilidade de votar com qualidade, com cidadania, é esse reconhecimento. Ali tem uma pessoa que precisa exercer a sua cidadania.”
Como a acessibilidade das urnas contribui para as Eleições 2026?
As mudanças implementadas nas urnas eletrônicas combinam recursos tecnológicos com adaptações voltadas às diferentes necessidades dos eleitores.
Áudio, braile, Libras, nova tipografia, telas reorganizadas e barra de progresso fazem parte dos mecanismos disponíveis nas Eleições 2026.
Em Santa Catarina, os 49.177 eleitores com deficiência aptos a votar estão entre o público diretamente beneficiado pelas medidas. A proposta é permitir que mais pessoas participem do processo eleitoral com autonomia e tenham condições de exercer o voto sem depender de terceiros.







