
Na tarde desta quarta-feira (30), o Governo do Estado de Santa Catarina implanta em Lages (SC), o Programa Sangue Total. A iniciativa possibilita transfusão de sangue em casos de choque hemorrágico grave através de bolsas disponibilizadas em operações aeromédicas. O processo aumenta as chances de sobrevida de pacientes graves.
Chapecó foi o terceiro município Catarinense a integrar o programa. O médico do Samu Aeromédico, Luan Carlesso, comentou a ação do Sangue Total na regional de Chapecó, que atua em diversos municípios através do atendimento integrado. Segundo ele, em torno de 30 a 40 bolsas já foram utilizadas nas operações aeromédicas.
De maneira técnica, doutor Luan explica que as soluções fisiológicas auxiliam na expansão de volume do sangue, mas não contempla a contenção, reposição de plaquetas e cascata de coagulação necessária. No caso da transfusão de sangue, o resultado a partir do atendimento, além de contemplar situações citadas, diminui marcadores inflamatórios e a mortalidade no atendimento posterior, quando o paciente está em tratamento hospitalar.
O Programa
O Sangue Total foi implantado em Santa Catarina em 2022, nos municípios de Florianópolis e Blumenau. Carlesso explica que, a partir de estudos científicos, foi confirmado que o “sangue no atendimento primário ao trauma em vítimas com necessidade, dava uma resposta de sobrevida muito maior do que soluções salinas do dia-a-dia utilizadas em ambulâncias terrestres”.
A partir disso, o tipo sanguíneo escolhido foi o O + em função da baixa intercorrência em transfusões com essa tipagem, além de ter sido considerado o estoque disponível no Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina, Hemosc. No caso de Chapecó, a equipe do Samu Aeromédico solicita as bolsas, que são preparadas pelo hemocentro. Em trabalho conjunto com a Polícia Civil, o material é buscado e armazenado no hangar em uma câmera conservadora em temperatura de até seis graus, por no máximo 21 dias, o que “ultimamente não tem durado”, segundo Luan.
O atendimento aeromédico também é instrumento importante no processo de salvar vítimas de traumas graves em função do tempo de deslocamento da equipe até o local. Neste sentido, em Chapecó, o destaque é para o trabalho conjunto da equipe da Polícia Civil e Samu Aeromédico. “O que mata hoje num sangramento de uma vítima de trauma é a perda rápida (de sangue)”, afirma Carlesso. Ou seja, quanto antes a equipe chegar para prover o que o paciente necessita, maiores as chances de sobrevivência.





