
Como está o mercado de trabalho no Brasil?
O mercado de trabalho brasileiro atingiu novos recordes no trimestre encerrado em agosto. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego ficou em 5,3%, uma queda de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em maio e também na comparação com o mesmo período de 2025. A população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas, o maior número da série histórica.
Ao todo, o país tinha 5,8 milhões de pessoas desocupadas. O número de ocupados cresceu 0,8% no trimestre, com 774 mil pessoas a mais trabalhando, e 1% em relação ao mesmo período do ano anterior, com acréscimo de 1,1 milhão de trabalhadores.
A taxa de ocupação ficou em 58,9%. Entre os setores que contribuíram para o avanço do número de trabalhadores estão a indústria geral, que cresceu 2%, e a construção, com alta de 4,1% no trimestre.
Quantas pessoas estão trabalhando no país?
A população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas entre junho e agosto. O levantamento também aponta 39,5 milhões de empregados com carteira assinada, sem considerar trabalhadores domésticos, 13,7 milhões de empregados sem carteira e 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria.
O Brasil ainda tinha 66,4 milhões de pessoas fora da força de trabalho e 2,4 milhões de trabalhadores classificados como desalentados.
Por que a inadimplência preocupa mesmo com o emprego em alta?
Apesar do mercado de trabalho aquecido, a inadimplência nas operações de crédito avançou para 5% em agosto, ante 4,9% em julho. Segundo os dados do Banco Central, é o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011. O indicador considera operações com mais de 90 dias de atraso.
Entre as pessoas físicas, a inadimplência passou de 5,8% para 6% no período, também atingindo o maior patamar da série. Entre as empresas, o índice ficou em 3,3%, o maior resultado desde outubro de 2017.
O contraste entre emprego e inadimplência ajuda a mostrar que a melhora do mercado de trabalho não elimina as dificuldades financeiras enfrentadas por parte das famílias. Economistas ouvidos pelo g1 apontam ainda que os juros elevados podem reduzir o ritmo de contratação e encarecer o crédito, contribuindo para a desaceleração da atividade econômica.
O que os dados mostram sobre a economia brasileira?
Os números indicam uma economia com dois movimentos simultâneos. De um lado, o mercado de trabalho continua registrando níveis elevados de ocupação e baixa taxa de desemprego. De outro, o aumento da inadimplência e a concentração do crescimento das vagas em alguns setores são apontados por economistas como sinais de perda de força.
A avaliação é de que o mercado de trabalho costuma reagir com algum atraso às mudanças na atividade econômica. Por isso, uma eventual desaceleração pode aparecer primeiro no ritmo de novas contratações antes de provocar uma queda significativa no número total de pessoas ocupadas.
Como ficaram as contas do governo em agosto?
As contas do Governo Central registraram déficit primário de R$ 13,58 bilhões em agosto, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta terça-feira (29). O resultado reúne as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central.
O resultado foi melhor do que o registrado em agosto do ano passado, quando o déficit ficou em R$ 15,54 bilhões em valores correntes. O déficit primário ocorre quando as receitas ficam abaixo das despesas e não considera os juros da dívida pública.
O que os economistas avaliam sobre os juros?
Os sinais de desaceleração da atividade e do mercado de trabalho são acompanhados pelos economistas nas discussões sobre a política monetária. A combinação entre desemprego baixo, menor ritmo de criação de vagas e aumento da inadimplência pode influenciar as avaliações sobre os próximos passos da taxa básica de juros.
A decisão sobre novos cortes da Selic, porém, depende também do comportamento da inflação e de outros indicadores econômicos.







