
Por que habitação, saneamento e esporte estão no debate das Eleições 2026?
Habitação, saneamento básico e esporte estão entre os temas discutidos em uma série de entrevistas da Rádio Câmara sobre as Eleições 2026. Os especialistas ouvidos pelo programa Painel Eletrônico analisaram desafios e medidas que podem integrar a agenda de gestores públicos e parlamentares nos próximos anos.
As discussões abordam desde a necessidade de ampliar o acesso à moradia adequada e aos serviços de água e esgoto até a criação de políticas permanentes para o esporte.
Quais são os principais desafios na área de habitação?
O Brasil registrou 11,4 milhões de domicílios particulares permanentes vagos no Censo 2022, segundo o IBGE. O levantamento diferencia esses imóveis daqueles de uso ocasional, que somaram outros 6,7 milhões.
Para Sabrina Dorigon Marques, diretora-geral do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico, o debate sobre habitação precisa considerar não apenas a quantidade de moradias disponíveis, mas também as condições das unidades existentes.
Entre os pontos destacados pela especialista estão a produção de moradias com infraestrutura e proteção contra eventos climáticos, a melhoria de habitações localizadas em áreas de risco ou sem saneamento e ventilação adequados, o debate sobre o preço da terra urbana e a participação das famílias beneficiárias nas decisões.
Sabrina também citou instrumentos previstos na legislação para imóveis que não cumprem a função social da propriedade, além das zonas especiais de interesse social (Zeis), utilizadas em processos de regularização fundiária.
Qual é o desafio do Brasil para ampliar o saneamento básico?
O Marco Legal do Saneamento Básico estabelece como meta a universalização dos serviços até 2033, com acesso à água potável para 99% da população e coleta e tratamento de esgoto para 90%.
Na entrevista à Rádio Câmara, Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, defendeu que o saneamento seja tratado como uma das prioridades nas discussões eleitorais de 2026.
Segundo os dados apresentados no programa, cerca de 32 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água tratada e quase 90 milhões não contam com coleta de esgoto.
A especialista também relacionou a ampliação do saneamento a impactos nas áreas de saúde, educação, produtividade e turismo, citando estimativas de economia de recursos públicos e ganhos econômicos com a universalização dos serviços.
O que especialistas defendem para o esporte?
O esporte também aparece na série de entrevistas como uma área que, segundo o pesquisador Fernando Mezzadri, precisa integrar de forma permanente as políticas públicas.
Coordenador do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mezzadri defendeu a presença do esporte em três dimensões: educacional, de excelência e como prática ao longo da vida.
Ele também destacou a necessidade de políticas voltadas a crianças, idosos e pessoas com deficiência, além da integração entre esporte e paradesporto.
Como os municípios podem estruturar políticas esportivas?
De acordo com Mezzadri, apenas 20% dos municípios brasileiros possuem planos municipais de esporte. Para o pesquisador, a existência de diretrizes e fundos específicos pode ajudar na organização das políticas públicas do setor.
A série da Rádio Câmara também aborda o Plano Nacional do Esporte, previsto no PL 409/22. Conforme a apuração apresentada pela Câmara dos Deputados, a proposta foi aprovada pela Câmara e está em análise no Senado Federal.
As entrevistas fazem parte de uma série especial sobre as Eleições 2026. Episódios anteriores trataram de temas como educação, segurança pública, saúde mental, agronegócio, meio ambiente, direitos das pessoas com deficiência, política externa e inovação tecnológica.







