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Eleições 2026: o que fazem os 16 deputados federais eleitos por Santa Catarina

Santa Catarina registrou 52 casos em 2025 e já contabilizava 28 feminicídios até junho de 2026; filhos e familiares também enfrentam as consequências dos crimes.

Foto: Daniel Conzi / Agência Alesc

Santa Catarina registrou 52 feminicídios em 2025. Até junho de 2026, o Estado já contabilizava 28 casos. Por trás de cada número existe uma história interrompida e famílias que precisam lidar com uma perda que não termina com o crime.

Em muitos casos, os autores são pessoas próximas das vítimas, como companheiros, maridos ou namorados. A violência também deixa marcas profundas em filhos, pais, irmãos e outros familiares.

A estudante de Ciências Biológicas Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, foi uma das vítimas. Ela foi encontrada morta na casa do namorado, em Sangão, no Sul de Santa Catarina. O namorado, José Gustavo Rabelo, de 21 anos, confessou o crime e foi preso.

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A história de Joviana ajuda a mostrar o que as estatísticas não conseguem dimensionar: o feminicídio atinge uma família inteira.

Quantos feminicídios foram registrados em Santa Catarina?

Santa Catarina teve 52 feminicídios em 2025 e registrava 28 casos até junho de 2026. Os dados mostram que a violência contra a mulher continua sendo uma realidade presente no Estado.

No Brasil, uma mulher é vítima de feminicídio, em média, a cada 5 horas e 25 minutos. Na maioria das situações, o autor faz parte do círculo de convivência da vítima.

Como o feminicídio afeta os filhos e familiares das vítimas?

Quando uma mulher é assassinada, a violência alcança muito além da vítima direta. Filhos, pais, irmãos, netos e amigos passam a conviver com a ausência e com as consequências do crime.

Para crianças e adolescentes, o impacto pode ser ainda maior. Em determinadas situações, eles presenciam a violência, perdem a mãe e também precisam lidar com a prisão do pai ou padrasto apontado como autor.

Em Imbituba, no Sul do Estado, uma mulher de 47 anos, identificada como Viviany Souza, morreu após ser esfaqueada pelo companheiro, de 63 anos. O crime ocorreu dentro da residência do casal e foi presenciado pelo filho da vítima, de 11 anos. O menino precisou ser atendido pelo Conselho Tutelar.

O que aconteceu com Joviana Evelyn Iankovski?

Joviana tinha 19 anos e estudaria Ciências Biológicas na Unesc. Segundo o relato apresentado na reportagem, ela sonhava em conhecer o mundo, fazer um mochilão e realizar trabalho voluntário na África.

A jovem também gostava de ler, assistir a filmes e estudar política e história. Para as amigas, era curiosa, gentil e cheia de planos.

Ela foi vista pela família pela última vez em 6 de agosto. Vinte e quatro horas depois, foi morta na casa do namorado, em Sangão.

A mãe acionou a Polícia Militar após desconfiar de incoerências nas mensagens enviadas pelo celular da filha. O namorado confessou o crime e foi preso.

O feminicídio costuma ser precedido por outras formas de violência?

Em muitos casos, o feminicídio é precedido por um histórico de violência psicológica, física, patrimonial, sexual ou moral.

A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, criou mecanismos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher. A legislação também prevê medidas protetivas e instrumentos para responsabilizar agressores.

A prevenção depende do reconhecimento dos sinais e da resposta da rede de proteção. Ameaças, agressões, perseguição, controle e humilhações não devem ser tratados como problemas restritos à vida privada.

Como a Lei Maria da Penha pode ajudar na prevenção?

A legislação permite a adoção de medidas para proteger mulheres em situação de violência, incluindo o afastamento do agressor e a proibição de contato, conforme as circunstâncias de cada caso.

A denúncia e o atendimento adequado podem interromper uma escalada de violência antes que ela chegue a um desfecho fatal.

Por isso, o funcionamento integrado da rede de proteção é parte importante da prevenção. O acolhimento precisa alcançar tanto a mulher que pede ajuda quanto familiares que percebem uma situação de risco.

Quantas crianças ficaram órfãs após feminicídios em Santa Catarina?

Santa Catarina ainda não possui, conforme os dados apresentados na reportagem, um levantamento consolidado sobre o número de crianças e adolescentes que perderam as mães em decorrência de feminicídios.

O Ministério Público de Santa Catarina e a Polícia Científica iniciaram um trabalho para identificar essas crianças e adolescentes.

A iniciativa busca dimensionar uma consequência que muitas vezes fica fora das estatísticas principais. Após a morte da mãe, os filhos podem enfrentar mudanças de residência, dificuldades financeiras, acompanhamento psicológico e os efeitos de processos judiciais que podem durar anos.

O que aconteceu com Patrícia Vicente?

Patrícia Vicente, de 43 anos, foi encontrada morta no porta-malas do próprio carro, em julho de 2020, em São José, na Grande Florianópolis. O caso foi tratado como feminicídio, e o então namorado da vítima foi apontado como autor.

Seis anos depois, a família ainda convive com as consequências da morte.

A filha, Pabliane Beatriz, transformou a própria experiência em um alerta sobre os pedidos de ajuda feitos pela mãe antes do crime. Segundo seu relato, Patrícia havia sofrido ameaças e demonstrava medo.

Pabliane afirma que a mãe mudou progressivamente. Deixou de sair como antes, ficou assustada e passou a apresentar marcas pelo corpo.

Como os pedidos de ajuda de Patrícia foram relatados pela filha?

Segundo Pabliane, a família percebeu as mudanças e tentou ajudar Patrícia. A filha chegou a insistir para que a mãe denunciasse o agressor.

A resposta, segundo o relato, era que ela tentaria.

O medo, porém, também atingia os familiares. O agressor conhecia horários e deslocamentos e teria feito ameaças à família.

Pabliane e um tio passaram a procurar ajuda e buscar informações sobre a situação.

A filha afirma que, antes do feminicídio, procurou a polícia e sentiu que o pedido de ajuda não recebeu a resposta esperada.

Meses depois, Patrícia foi assassinada.

Como a família descobriu o que havia acontecido com Patrícia?

No dia 10 de julho de 2020, a família percebeu que Patrícia não havia aparecido para compromissos habituais. O telefone estava desligado e o carro não havia sido localizado.

Familiares começaram a procurar imagens de câmeras de segurança para reconstruir os últimos passos da mulher.

Em uma das gravações, a filha identificou o homem carregando a mãe enrolada em um cobertor e colocando o corpo no porta-malas do carro.

O corpo foi encontrado posteriormente no porta-malas, em um supermercado no bairro J. Vargas. O homem fugiu e acabou preso dois dias depois, em Florianópolis.

Quais marcas ficam na família depois de um feminicídio?

A morte de Patrícia provocou consequências que ultrapassaram a perda da filha e da mãe. Segundo Pabliane, a família passou a conviver com medo e insegurança.

O avô não suportou a perda da filha e morreu posteriormente. A avó sofreu três AVCs e passou a enfrentar um quadro avançado de Alzheimer.

Os netos também cresceram com a ausência da avó e com perguntas sobre o que aconteceu.

A filha afirma que passou a viver com medo e que a violência também afetou a sensação de segurança da família.

Por que ouvir os pedidos de socorro pode evitar novos feminicídios?

Para Pabliane, a história da mãe mostra que os sinais de violência precisam ser levados a sério antes que a situação chegue ao extremo.

Ela defende que não apenas a vítima, mas também familiares que procuram ajuda devem ser ouvidos quando identificam uma situação de risco.

A prevenção passa pelo acolhimento, pela investigação das denúncias e pelo acesso às medidas de proteção previstas em lei.

O feminicídio interrompe uma vida, mas seus efeitos permanecem entre aqueles que ficam. Fortalecer a rede de proteção significa também tentar impedir que outras famílias tenham de aprender a conviver com uma ausência que poderia ter sido evitada.

Com informações da Agência AL

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