
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) promoveu, nesta quarta-feira (26), o Seminário Avançado sobre a Linha de Cuidado para Pessoas com Deficiência Intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência.
O encontro ocorreu no Auditório Antonieta de Barros e reuniu profissionais da saúde, educadores, gestores e representantes da rede de atendimento.
Promovida pela Comissão de Saúde da Alesc, a iniciativa está na quarta etapa e já passou por diferentes regiões de Santa Catarina.
Quantas pessoas foram alcançadas pelas ações em 2026?
Somente no primeiro semestre de 2026, as ações relacionadas à linha de cuidado passaram por mais de 20 municípios catarinenses e alcançaram aproximadamente 10 mil pessoas.
A programação ocorre durante um período de atualização das diretrizes de reabilitação voltadas às pessoas com deficiência intelectual e TEA.
Como a linha de cuidado será implantada em Santa Catarina?
A proposta é qualificar profissionais e gestores para a implantação da linha de cuidado, fortalecendo a Atenção Primária à Saúde como coordenadora do atendimento.
Também está prevista uma maior articulação entre os diferentes serviços da rede, considerando as características de cada região do Estado.
Representando a Secretaria de Estado da Saúde, Jaqueline Reginato afirmou que Santa Catarina trabalha desde 2024 na organização dos fluxos de atendimento às pessoas com deficiência intelectual.
Segundo ela, um grupo de trabalho discute a estruturação da rede e busca considerar as diferentes realidades dos municípios e regiões catarinenses.
Por que a capacitação dos profissionais é importante?
Para André Roberto Faria, coordenador do CER III da Uniplac, a capacitação ajuda a manter as equipes atualizadas e pode melhorar o atendimento oferecido às pessoas com deficiência e suas famílias.
O serviço atende atualmente cerca de 90 crianças com TEA, além de pessoas com outras deficiências. Recentemente, a equipe também passou a realizar avaliação e diagnóstico de pessoas com transtorno do espectro autista.
Quais áreas precisam atuar juntas no atendimento?
André Roberto Faria destacou que o cuidado precisa envolver saúde, família e educação. Segundo ele, a integração entre essas áreas é necessária para que os objetivos terapêuticos sejam alcançados.
“Se esses três pilares não estiverem alinhados, não conseguimos atingir nossa meta terapêutica. É preciso esse mecanismo para que possamos reabilitar as pessoas”, afirmou.
Por que o atendimento deve considerar mais do que o diagnóstico?
A neuropsicóloga Camila Calado defendeu uma abordagem mais ampla no atendimento às pessoas com deficiência. Segundo ela, o modelo biopsicossocial permite compreender o indivíduo considerando aspectos biológicos, psicológicos e sociais.
Nesse modelo, o diagnóstico continua sendo considerado, mas o cuidado também leva em conta a história da pessoa, suas relações, a família e o ambiente em que ela está inserida.
“Não podemos olhar apenas para o diagnóstico. Precisamos compreender quem é essa pessoa, sua história, suas relações e o ambiente em que vive”, explicou Camila.
Como a integração da rede pode melhorar o atendimento?
A proposta apresentada durante o seminário é ampliar a articulação entre os serviços e qualificar os profissionais para oferecer um atendimento mais organizado e adequado às necessidades de cada pessoa.
Para os especialistas participantes, a integração entre saúde, família e educação, aliada a uma visão ampliada do indivíduo, contribui para um cuidado mais humanizado e para a inclusão das pessoas com deficiência em diferentes espaços da sociedade.
“Inclusão é olhar a pessoa para além do seu diagnóstico”, afirmou a neuropsicóloga
Fonte: Alesc







