
Cuidar da saúde nos primeiros anos de vida vai muito além de tratar doenças. O acompanhamento adequado também envolve vacinação, alimentação, crescimento, desenvolvimento e orientação às famílias.
Na semana do Dia Nacional da Infância, celebrado na segunda-feira (24), o Ministério da Saúde reforçou as ações realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para acompanhar as crianças desde antes do nascimento.
O cuidado começa no pré-natal e segue com a atenção ao parto e ao recém-nascido, vacinação, aleitamento materno, consultas, acompanhamento do peso e da altura, visitas domiciliares e vigilância do desenvolvimento.
Como o SUS acompanha a criança desde os primeiros dias de vida?
Na Atenção Primária à Saúde, o acompanhamento começa ainda nos primeiros dias após o nascimento. Uma das metas é garantir a primeira consulta até o 30º dia de vida.
Até os dois anos, a orientação é realizar pelo menos nove consultas e nove registros de peso e altura. Também estão previstas duas visitas domiciliares de agentes comunitários de saúde nos primeiros seis meses, além do cumprimento do calendário de vacinação.
A ideia é acompanhar de perto o crescimento da criança e identificar precocemente qualquer alteração que possa exigir atenção.
O que melhorou nos indicadores de saúde infantil?
A mortalidade neonatal apresentou redução de aproximadamente 23% em dez anos. A taxa caiu de cerca de 9,9 óbitos por mil nascidos vivos em 2014 para 7,62 em 2024.
O aleitamento materno exclusivo também atingiu o maior patamar da série histórica em 2024 e 2025. Segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), 57% dos bebês de até seis meses acompanhados na Atenção Primária estavam em aleitamento materno exclusivo.
Como está a vacinação das crianças no Brasil?
A cobertura vacinal infantil apresentou avanço nos últimos anos. O número de crianças que não receberam nenhuma dose das vacinas básicas caiu de aproximadamente 360 mil, em 2023, para cerca de 50 mil, em 2025.
A redução foi de aproximadamente 86% em dois anos, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Com o resultado, o Brasil deixou de integrar a lista dos 20 países com maior número de crianças sem nenhuma dose de vacina.
O que é a Caderneta da Criança?
A Caderneta da Criança é entregue ainda na maternidade e acompanha o desenvolvimento até os nove anos de idade.
O documento reúne informações sobre vacinação, crescimento, desenvolvimento, alimentação, saúde bucal e prevenção de acidentes e violências. A versão digital está integrada ao Meu SUS Digital e já ultrapassou 3,5 milhões de acessos.
Em 2024, foram distribuídas mais de 6,5 milhões de cadernetas impressas. No ano seguinte, foram quase 4,9 milhões.
Quantas crianças vivem na primeira infância no Brasil?
O Brasil possui mais de 18 milhões de crianças de 0 a 6 anos. Segundo o Perfil Síntese da Primeira Infância e Famílias no Cadastro Único, mais de 10 milhões estavam inscritas no Cadastro Único em outubro de 2023.
O número correspondia a 55,4% da população dessa faixa etária registrada no Censo de 2022.
Como o SUS busca reduzir as desigualdades na primeira infância?
As ações de saúde também são direcionadas às crianças que enfrentam maior vulnerabilidade social. Entre os grupos que demandam atenção estão crianças em situação de pobreza e insegurança alimentar, além de crianças negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e de outros povos e comunidades tradicionais.
Para alcançar essas famílias, o SUS fortalece estratégias como busca ativa, visitas domiciliares, acompanhamento do crescimento e desenvolvimento e articulação com outras políticas públicas.
O novo modelo de cofinanciamento federal da Atenção Primária à Saúde também considera critérios de equidade, incluindo vulnerabilidade social, características demográficas e a presença de crianças menores de cinco anos e beneficiários de programas de proteção social.
Por que os primeiros anos de vida recebem tanta atenção?
A primeira infância é uma fase de rápidas mudanças no desenvolvimento da criança. Nesse período são construídas bases importantes para a linguagem, as funções cognitivas, os vínculos afetivos e as relações sociais.
Por isso, o acompanhamento não se limita à prevenção de doenças. O objetivo é criar condições para que a criança cresça, aprenda, brinque e desenvolva suas habilidades.
Com vacinação, alimentação adequada, consultas e acompanhamento contínuo, o SUS busca ampliar as oportunidades de desenvolvimento e reduzir as diferenças que podem marcar a infância desde os primeiros anos.
Fonte: Gov






