
Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, será ouvida nesta quarta-feira (19) durante a audiência de instrução e julgamento do processo em que responde por estelionato e falsa identidade. A sessão está marcada para as 18h, no Fórum de Joinville, no Norte de Santa Catarina.
A mulher participará da audiência à distância, diretamente do presídio onde está presa. Ela foi detida em 2 de junho, depois que a família que a acolheu descobriu que a suposta adolescente de 12 anos era, na verdade, uma mulher adulta.
O caso ganhou repercussão depois que Amanda passou 14 meses vivendo com a família de Joinville. Durante esse período, ela se apresentou inicialmente como uma jovem de 18 anos e, posteriormente, afirmou ter apenas 11 anos.
Como Amanda conseguiu convencer a família de Joinville?
A aproximação começou por meio de um pastor de uma igreja local. Na ocasião, Amanda se apresentou como uma jovem de 18 anos, disse ter experiência em panificação e afirmou estar procurando emprego.
Com o passar do tempo, ela passou a relatar problemas de saúde e dificuldades financeiras. Sensibilizada, a família começou a ajudá-la, inclusive fornecendo o medicamento Mounjaro.
Depois de conquistar a confiança dos moradores, Amanda mudou a história. Disse que tinha apenas 11 anos e que havia sofrido abusos. A família então passou a tratá-la como uma adolescente que precisava de proteção.
Ela foi morar na residência e recebeu uma festa de aniversário pelos supostos 12 anos. Também ganhou um quarto decorado com brinquedos e objetos infantis.
Como a família descobriu que a mulher não era uma adolescente?
A descoberta ocorreu após uma denúncia feita por uma tia. Ela levantou suspeitas sobre a identidade da suposta adolescente e comunicou o caso ao pai adotivo.
A família procurou a polícia no fim de maio. A investigação avançou e Amanda acabou presa em flagrante em 2 de junho.
Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, a mulher conseguiu criar um forte vínculo emocional com os moradores. A família acreditava que ela havia saído do Pará após sofrer maus-tratos.
“Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família”, afirmou o delegado.
O que aconteceu com Amanda depois da prisão?
Após a prisão, a Polícia Civil concluiu o inquérito e encaminhou o caso ao Ministério Público de Santa Catarina. O MPSC denunciou Amanda pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
A Justiça aceitou a denúncia, transformando o caso em um processo criminal. A defesa apresentou sua manifestação por escrito, seguida pela contestação do Ministério Público e por uma réplica dos advogados da acusada.
Com essa etapa concluída, a audiência de instrução e julgamento foi marcada para esta quarta-feira (19).
O que será discutido durante a audiência?
Durante a audiência, serão ouvidas as partes envolvidas no processo, incluindo a acusação, a defesa e a própria Amanda.
Depois dessa etapa, ocorrerão as alegações finais. Nesse momento, Ministério Público e defesa poderão fazer uma última manifestação sobre as provas reunidas e apresentar seus pedidos ao juiz.
O processo seguirá então para a sentença. A decisão não deve ser anunciada no mesmo dia da audiência.
O que os exames de sanidade mental apontaram?
Amanda passou por um exame de sanidade mental realizado pela Polícia Científica em 26 de junho. Segundo o advogado Lúcio Sousa, ela também foi submetida a outro exame, acompanhado por peritos escolhidos pela defesa.
De acordo com o advogado, houve divergência entre os dois laudos. O exame realizado pelo Estado teria apontado uma doença, enquanto o laudo produzido pela defesa teria indicado três diagnósticos.
Os resultados não foram divulgados porque o processo tramita em sigilo. Os dois documentos foram entregues ao juiz e fazem parte das provas que poderão ser consideradas na decisão final.
Por quais crimes Amanda responde?
Amanda responde a acusações de estelionato e falsa identidade. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina após a conclusão do inquérito da Polícia Civil.
Até o momento, o caso ainda não foi julgado. A audiência desta quarta-feira faz parte da fase de instrução do processo, antes da apresentação das alegações finais e da sentença.
A defesa informou que deverá se manifestar após a audiência.
Com informações do portal G1





