
O Grupo Casas Bahia postou em seu site de relacionamento com investidores apenas na noite de sábado (15) os resultados do segundo trimestre deste ano. Com uma dívida total de R$ 10,1 bilhões, o grupo informou que seu conselho de administração aprovou o ajuizamento de pedido de recuperação judicial da companhia, em conjunto com determinadas subsidiárias, a partir da noite deste domingo (16).
Conforme o portal da Band, o pedido foi protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, e contou com aprovação do acionista controlador. Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários, a empresa destaca que o pedido ocorre em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras, atribuindo o cenário, entre outros fatores, a um ambiente macroeconômico marcado por taxas de juros elevadas, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro. O documento também menciona a não concretização de alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas.
A recuperação judicial é apontada como necessária e como mais um passo no processo de reestruturação financeira, com o objetivo de preservar a continuidade das atividades e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento das obrigações. A empresa disse ainda que pretende manter as operações em todos os canais existentes durante o processo, priorizando o atendimento aos clientes e consumidores, sem interrupções relevantes e nos níveis de qualidade e serviço atualmente existentes.
O que falhou na reestruturação do grupo
O Grupo Casas Bahia tinha um plano de transformação em andamento, e admitiu no sábado que algumas expectativas iniciais não se concretizaram: em vez de haver aumento de limite com seguradoras de crédito, houve redução de limite em alguns casos; quando se esperavam captações de novos recursos relevantes, houve o fechamento da janela de mercado de equity, e a operação de dívida no mercado internacional não foi realizada.
Por fim, o Grupo Casas Bahia argumenta que o cenário macro e geopolítico não tem colaborado para a reestruturação da empresa: a Taxa Selic segue em patamar elevado, o endividamento das famílias aumentou, houve impacto das apostas em bets no consumo e o aumento do preço do petróleo e da ocorrência de guerras também impactou a empresa.
Diante desse cenário, houve a deflagração da segunda fase do plano de transformação do Grupo Casas Bahia, cuja primeira ação foi o fechamento das duzentas e noventa e oito lojas menos rentáveis da rede Casas Bahia. Chapecó figurava nesta lista como uma cidade deficitária para a empresa, e por isso sua unidade encerrou as unidades na sexta-feira (14).





