
Governo atualiza preparação para os impactos do El Niño
A Sala de Situação sobre o El Niño realizou, na segunda-feira (10), a terceira reunião para atualizar os cenários climáticos e organizar medidas de preparação para os próximos meses.
O planejamento será feito de forma regionalizada, em parceria com estados e municípios. As ações deverão considerar os diferentes impactos previstos para cada parte do país.
Quais impactos são previstos para cada região?
Os cenários apresentados durante a reunião indicam possibilidade de estiagem no Norte e Nordeste, chuvas intensas no Sul e temperaturas elevadas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
No Sul, as previsões de curto prazo apontam volumes elevados de chuva. Em algumas áreas, o acumulado pode chegar a 200 milímetros em sete dias.
O monitoramento será atualizado continuamente para identificar situações que possam exigir resposta rápida.
Defesa Civil já realizou oficinas em dez estados
Como parte da preparação, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil realizou oficinas em dez estados dentro do Plano Nacional de Enfrentamento à Estiagem Amazônica e Pantanal.
As atividades reuniram gestores locais para organizar informações, responsabilidades e fluxos de atuação em situações de emergência. A proposta é adaptar os planos de resposta às características de cada território.
Como está o monitoramento do El Niño?
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas das águas do Oceano Pacífico permanecem acima da média.
A evolução desse aquecimento continuará sendo acompanhada para avaliar a intensidade do fenômeno e seus possíveis efeitos sobre o Brasil.
O planejamento considera tanto as previsões de curto prazo quanto as tendências para os meses seguintes. Os dados mais imediatos serão utilizados para identificar situações que demandem resposta, enquanto as projeções de maior prazo servirão de base para ações preventivas.
Recursos hídricos e abastecimento também estão no planejamento
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) apresentou informações georreferenciadas sobre recursos hídricos, reservatórios e áreas que podem precisar de acompanhamento específico.
Nas regiões sujeitas à estiagem e ao risco de isolamento de comunidades, também estão sendo preparadas medidas relacionadas ao abastecimento e à segurança alimentar.
O planejamento considera especialmente populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas. Entre as ações previstas estão instrumentos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Energia e saúde entram nas medidas de prevenção
Na área de energia e logística, estão sendo avaliadas medidas para antecipar estoques de combustíveis em localidades e corredores logísticos que possam ser prejudicados pela redução dos níveis dos rios.
Na saúde, o acompanhamento inclui o risco de aumento da circulação de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, além dos possíveis efeitos de eventos climáticos extremos.
Entre as medidas previstas estão a descentralização de bases da Força Nacional do SUS em Manaus, Belém e Porto Velho, procedimentos para atendimento a municípios em situação de emergência, preparação de kits de saúde e acompanhamento específico nos distritos sanitários indígenas.
Como será feita a preparação nos próximos meses?
A partir dos cenários apresentados na Sala de Situação, os órgãos envolvidos deverão manter a articulação com estados e municípios.
Os planos de prevenção e resposta serão atualizados conforme as condições observadas em cada território. A estratégia prevê que as medidas sejam ajustadas de acordo com os riscos identificados ao longo do monitoramento climático.






