
⚡ Em Resumo:
- O que é: A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostrou que o endividamento das famílias brasileiras atingiu novo recorde em julho de 2026.
- Números/Dados: 82% dos consumidores afirmaram ter algum tipo de dívida a vencer. A inadimplência caiu levemente, de 29,9% para 29,8%, mas 19% das famílias disseram ter mais da metade da renda comprometida com pagamentos.
- Onde: O levantamento considera consumidores de todo o Brasil.
- Quem afeta: O avanço das dívidas atinge principalmente famílias de menor renda, entre aquelas que recebem até três salários mínimos, grupo que registrou maior nível de endividamento.
O número de famílias brasileiras com algum tipo de dívida chegou ao maior nível da série histórica em julho de 2026. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 82% dos consumidores afirmaram possuir compromissos financeiros a vencer.
O índice representa o sexto recorde consecutivo da pesquisa e ficou acima do registrado em junho, quando 81,6% das famílias tinham dívidas. Na comparação com julho de 2025, houve crescimento de 3,5 pontos percentuais.
Por que o endividamento das famílias aumentou?
O levantamento considera como dívida compromissos como cartão de crédito, financiamentos, empréstimos pessoais, cheque especial e carnês de lojas.
Apesar do aumento do endividamento, isso não significa necessariamente que todas as famílias estejam com contas atrasadas. Um consumidor que paga regularmente um financiamento ou uma compra parcelada no cartão também entra na estatística.
O principal alerta está no peso dessas dívidas no orçamento. Em julho, 19% das famílias afirmaram ter mais da metade da renda comprometida com pagamentos, o maior percentual desde março deste ano.
A inadimplência melhorou após o Desenrola 2.0?
Sim. A parcela de famílias com contas em atraso apresentou uma pequena redução em julho. O índice passou de 29,9% para 29,8% entre junho e julho.
O resultado ocorreu após os primeiros 90 dias do Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo federal em maio.
Mesmo com a melhora, especialistas alertam que a queda da inadimplência não significa que as famílias estejam menos pressionadas financeiramente.
Por que o cartão de crédito é considerado o principal vilão?
O cartão de crédito continua sendo o principal tipo de dívida entre os brasileiros. Segundo especialistas, o problema está principalmente no uso do crédito rotativo, que possui juros elevados.
A economista e professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), Carla Beni, afirma que o parcelamento se tornou comum no país e muitas vezes é utilizado para despesas do dia a dia.
Quando compras básicas passam a ser financiadas em várias parcelas, aumenta o risco de comprometimento da renda e dificuldade para equilibrar o orçamento.
Quais famílias sofrem mais com as dívidas?
As famílias de menor renda são as mais afetadas pelo avanço do endividamento.
Entre os consumidores que recebem até três salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 84,9% em julho, maior índice entre os grupos analisados.
Essa faixa também foi a única que registrou aumento da inadimplência no período, passando de 38,3% para 38,5%.
Já entre famílias com renda superior a dez salários mínimos, o endividamento chegou a 72%, mas a inadimplência caiu de 15,4% para 15,1%.
Quais sinais positivos aparecem na pesquisa?
Mesmo com o recorde no endividamento, alguns indicadores apresentaram melhora.
O tempo médio de atraso das dívidas caiu pelo terceiro mês seguido e chegou a 64,6 dias, o menor resultado desde dezembro de 2025.
Também diminuiu o número de consumidores com dívidas atrasadas há mais de 90 dias. O percentual ficou em 48,5%, menor nível desde agosto de 2025.
Para a CNC, os dados mostram sinais de recuperação em alguns pontos, mas o alto comprometimento da renda ainda exige atenção das famílias e do setor econômico.
Com informações do portal G1





