
⚡ Em Resumo:
- O que é: Número de pedidos para bloquear o CPF em plataformas de apostas online disparou durante a Copa do Mundo.
- Números/Dados: Foram 250.129 pedidos em 14 dias, média de 17.866 por dia, alta de 588% em relação ao período anterior.
- Onde: Brasil.
- Quem afeta: Apostadores, pessoas com comportamento compulsivo e usuários de plataformas de apostas regulamentadas.
O que revelou o levantamento sobre as bets?
O número de brasileiros que solicitaram o bloqueio do CPF para impedir apostas em plataformas legalizadas cresceu de forma expressiva durante a Copa do Mundo de 2026. Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, obtidos pela BBC News Brasil, apontam aumento de 588% na média diária de pedidos de autoexclusão em comparação com o período anterior ao torneio.
Entre os dias 15 e 28 de junho, foram registrados 250.129 pedidos de bloqueio ou prorrogação da autoexclusão, o equivalente a uma média de 17.866 solicitações por dia.
Como funciona a autoexclusão das plataformas de apostas?
A Plataforma Centralizada de Autoexclusão foi lançada pelo governo federal em dezembro de 2025 e permite que o usuário bloqueie, de uma única vez, o acesso a todas as casas de apostas autorizadas no Brasil.
Após o processamento da solicitação, o CPF do usuário fica impedido de realizar apostas nas plataformas regulamentadas pelo governo.
Por que os pedidos aumentaram durante a Copa?
Especialistas atribuem o crescimento à intensa exposição às apostas durante o Mundial, impulsionada pela grande quantidade de publicidade das casas de apostas nas transmissões esportivas.
Além disso, a maior divulgação da ferramenta de autoexclusão e o aumento da conscientização sobre os riscos financeiros e emocionais do jogo também contribuíram para o crescimento das solicitações.
Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, a combinação entre informação e facilidade de acesso ao sistema fortaleceu a proteção dos usuários.
Quais foram os principais motivos para o bloqueio?
Antes da Copa do Mundo, o motivo mais frequente para pedir a autoexclusão era a perda de controle sobre as apostas.
Durante o torneio, o principal motivo informado passou a ser a prevenção contra o uso indevido de dados pessoais pelas plataformas de apostas. Também apareceram entre as justificativas a decisão voluntária de interromper as apostas, dificuldades financeiras e o receio de desenvolver comportamento compulsivo.
Outro dado chama atenção: mais de 63% dos usuários optaram por bloquear o acesso às bets por tempo indeterminado.
Qual é o impacto do jogo compulsivo?
Entidades que acompanham pessoas com transtorno do jogo avaliam que parte dos pedidos representa uma tentativa de evitar que o hábito se torne um vício.
Um dos entrevistados pela reportagem, que perdeu cerca de R$ 122 mil em apostas esportivas, afirmou que hoje evita até assistir futebol para não reviver o comportamento compulsivo.
Segundo dados do Ministério da Fazenda, o Brasil possui pelo menos 25 milhões de apostadores cadastrados, enquanto a receita bruta das bets legalizadas alcançou R$ 37 bilhões em 2025.
Especialistas alertam que muitos dos impactos financeiros e emocionais provocados pelas apostas podem aparecer apenas nos meses seguintes ao fim da Copa do Mundo, quando parte dos jogadores buscará ajuda após acumular prejuízos.












