quinta-feira, julho 9, 2026
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Tumulto entre grupos marca votação sobre ampliação das cotas na UDESC

Sessão do Conselho Universitário foi cercada por manifestações, empurra-empurra e acionamento da Polícia Militar durante a análise da nova Política de Ações Afirmativas

Foto: Reprodução/ Jornal Razão

⚡ Em Resumo:

  • O que é: Sessão do Conselho Universitário da UDESC para votar a nova Política de Ações Afirmativas foi marcada por tumulto entre grupos favoráveis e contrários à ampliação das cotas.
  • Números/Dados: Atualmente, a universidade reserva 30% das vagas (20% para estudantes de escolas públicas e 10% para candidatos negros). A proposta amplia o público beneficiado e pode alcançar outros níveis de ensino.
  • Onde: Reitoria da UDESC, em Florianópolis (SC).
  • Quem afeta: Estudantes, candidatos aos processos seletivos da UDESC, comunidade acadêmica e grupos ligados ao debate sobre ações afirmativas.

A sessão do Conselho Universitário (Consuni) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), realizada na manhã desta quinta-feira (9), em Florianópolis, foi marcada por tumulto entre grupos favoráveis e contrários à ampliação da política de cotas da instituição. A confusão começou antes da votação, com gritos, empurra-empurra na entrada da Reitoria e troca de acusações entre os manifestantes.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram momentos de tensão nos corredores e na entrada do prédio. As versões sobre o início do confronto divergem, e até o momento não houve confirmação independente sobre a responsabilidade pelos incidentes.

O que disseram os grupos envolvidos?

Manifestantes contrários à ampliação das cotas afirmaram que foram impedidos de acompanhar a sessão e relataram agressões durante a mobilização. Já estudantes e apoiadores da proposta reagiram à presença do grupo opositor com palavras de ordem e defenderam a manutenção das ações afirmativas.

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Durante a confusão, uma professora também participou das discussões, defendendo a política de cotas e classificando a postura dos opositores como racismo. As declarações elevaram o clima de tensão entre os participantes.

Como foi a atuação da Polícia Militar?

A Polícia Militar de Santa Catarina foi acionada para atender uma ocorrência de vias de fato e calúnia na Avenida Madre Benvenuta, onde fica a Reitoria da UDESC.

Segundo a corporação, o ex-deputado estadual Bruno Souza (PL), que participou do debate, relatou ter sido hostilizado, agredido e chamado de racista. Ele apresentou imagens à guarnição, que tentou localizar o suposto autor da agressão com o acompanhamento do reitor da universidade. No entanto, devido à grande quantidade de pessoas no local, o suspeito não foi encontrado. As imagens foram anexadas ao boletim de ocorrência, e o caso foi registrado.

O que está sendo votado pela UDESC?

O Conselho Universitário analisa o Processo 14649/2024, que cria a nova Política de Ações Afirmativas e Diversidades da UDESC.

Atualmente, a universidade reserva 30% das vagas do vestibular, sendo 20% destinadas a estudantes que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas e 10% para candidatos negros.

A proposta amplia o alcance das cotas para pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e pessoas trans. Além da graduação, o texto também prevê a adoção da política na pós-graduação.

Grupos contrários afirmam que a reserva de vagas poderá chegar a até 55% do total, percentual que não foi confirmado oficialmente pela universidade.

Por que a votação ocorre neste momento?

A análise da proposta foi retomada após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou inconstitucional a Lei Estadual nº 19.722/2026.

A norma, aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina e sancionada pelo governador Jorginho Mello, proibia a adoção de cotas raciais em instituições públicas de ensino superior mantidas pelo Estado. Em abril deste ano, o STF anulou a legislação por unanimidade, permitindo que a UDESC voltasse a discutir sua política de ações afirmativas.

Segundo a universidade, o processo havia sido retirado de pauta em duas oportunidades devido à insegurança jurídica provocada pela vigência da lei estadual.

Qual é o impacto da proposta?

Os defensores da nova política argumentam que as ações afirmativas ampliam o acesso ao ensino superior e destacam que, desde a implantação das cotas em 2011, a participação de estudantes negros na UDESC passou de 6,4% para 17,6%, conforme dados do Censo da Educação Superior.

Já os críticos sustentam que a ampliação das reservas de vagas compromete o critério do mérito nos processos seletivos e questionam a possibilidade de a política também alcançar futuras contratações da universidade, tema que vem sendo debatido no âmbito político.

Até a última atualização desta reportagem, a UDESC não havia se manifestado oficialmente sobre o tumulto registrado na Reitoria, e o resultado da votação do Conselho Universitário ainda não havia sido divulgado.

Fonte: Jornal Razão

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