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Relíquia do futebol: uniforme de campeão da Seleção há mais de 100 anos ainda existe

Uniforme utilizado por Amílcar Barbuy nas primeiras conquistas da Seleção Brasileira atravessou gerações e hoje é considerado uma das maiores relíquias do futebol nacional

Camisa da seleção brasileira de 1919/22 — Foto: Diro Blasco
Amilcar Barbuy Filho, filho do ex-jogador de Corinthians e Palmeiras — Foto: Leonardo Lourenço

Camisa centenária da Seleção Brasileira sobrevive ao tempo e impressiona colecionadores

Uniforme utilizado por Amílcar Barbuy nas primeiras conquistas da Seleção Brasileira atravessou gerações e hoje é considerado uma das maiores relíquias do futebol nacional

A camisa de jogo mais antiga conhecida da história da Seleção Brasileira continua preservada após mais de 100 anos. O uniforme pertenceu a Amílcar Barbuy, um dos principais jogadores do futebol brasileiro nas primeiras décadas do século XX e ídolo de Corinthians e Palestra Itália, atual Palmeiras. A peça foi utilizada em uma das duas primeiras conquistas da Seleção no Campeonato Sul-Americano, atual Copa América, em 1919 ou 1922.

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A raridade histórica foi mantida pela família do ex-jogador durante décadas e atualmente integra a coleção particular da família do engenheiro eletrônico Valter Bento Silveira. Além da camisa, o conjunto também inclui o calção utilizado pelo atleta nas competições internacionais.

Embora ainda exista uma dúvida sobre qual das duas campanhas vitoriosas da Seleção teve a utilização exata da peça, especialistas confirmam que o uniforme tem mais de um século de existência. Inicialmente, o filho de Amílcar acreditava que a camisa havia sido usada na conquista de 1919. Posteriormente, análises das características do tecido e do acabamento indicaram semelhanças com os modelos utilizados em 1922.

Na época, a Seleção Brasileira vestia camisas brancas com detalhes azuis na gola e nas mangas. O tradicional uniforme amarelo só passaria a ser adotado após a derrota para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950, episódio conhecido como Maracanazo.

Entre os detalhes que tornam a peça única estão o cordão de amarração no peito, utilizado para ventilação, o botão frontal semelhante ao de uma camisa social e o escudo costurado manualmente sobre o tecido. Elementos comuns nos primeiros anos do futebol, mas que desapareceram dos uniformes modernos.

O atual proprietário da peça, Bruno Silveira, revelou que o interesse surgiu após a leitura de um livro sobre a trajetória de Amílcar Barbuy. Colecionador de mais de 250 camisas históricas, ele manteve contato com a família do ex-jogador por cerca de dois anos antes de concretizar a aquisição.

Para o jornalista e pesquisador esportivo Celso Unzelte, a preservação da camisa é um feito extraordinário. Segundo ele, não há registros de outro uniforme de jogo do futebol brasileiro que tenha resistido por tanto tempo em tão boas condições.

Considerada uma verdadeira relíquia do esporte nacional, a camisa representa um dos capítulos mais importantes da história da Seleção Brasileira e ajuda a preservar a memória das primeiras conquistas do futebol do país.


Uniforme seleção brasileira 1919/22 — Foto: Diro Blasco

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