
O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, após o registro de 42 casos de reações adversas graves e duas mortes possivelmente associadas ao imunizante. A decisão foi comunicada na segunda-feira (8) e integra uma medida preventiva enquanto as investigações seguem em andamento.
De acordo com a pasta, os estados e municípios serão orientados a interromper a aplicação da vacina, embora os imunizantes já distribuídos devam ser mantidos em condições adequadas de refrigeração até novas definições.
Entre os próximos passos definidos pelo Ministério estão o rastreamento ativo de novos casos de eventos adversos e o monitoramento de pacientes vacinados recentemente. As autoridades também irão intensificar a análise de casos de dengue em pessoas imunizadas, especialmente aqueles com sinais de agravamento e óbitos.
O acompanhamento será feito em parceria com as redes municipais de saúde, com a revisão de registros por lote, território e unidades de aplicação.
As investigações também envolvem a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que notificou o Instituto Butantan e deve convocar um comitê de especialistas para apurar os casos. Apesar da suspensão, o governo reforça que ainda não há confirmação de nexo causal entre a vacina e os óbitos registrados.
De acordo com os dados divulgados, entre janeiro e 30 de maio de 2026 foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos semelhantes aos sintomas da dengue, o equivalente a 0,7% dos vacinados. Desses, 42 casos apresentaram sinais de alarme, incluindo dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos.
Três casos foram classificados como graves, incluindo duas mortes: uma mulher de 48 anos, que apresentou complicações neurológicas e evoluiu para óbito, e um homem de 58 anos, que teve agravamento rápido do quadro e também morreu.
O Ministério da Saúde reforça que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias devem ficar atentas a sintomas como febre, vômitos persistentes, dor abdominal intensa, tontura, sangramentos, sonolência intensa e sinais de desidratação, buscando atendimento médico em caso de alerta.
Apesar da suspensão da vacina do Butantan, o imunizante Qdenga não foi afetado pela decisão e segue disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
As investigações continuam sob coordenação do Ministério da Saúde, Anvisa e Instituto Butantan, que deverão apresentar novos dados nos próximos desdobramentos do caso.







