


A soja consolidou-se como a cultura de maior relevância no cenário agrícola brasileiro, liderando tanto em volume de grãos quanto em área cultivada. Trata-se de uma espécie da família Fabaceae (leguminosas), classificada como Glycinemax, que apresenta um elevado teto produtivo em nossa região.
Como planta adaptada à climas quentes, seu crescimento e produtividade são condicionados diretamente pela temperatura e pelo fotoperíodo. Para que esse potencial genético seja atingido, a soja exige um suprimento rigoroso de nutrientes, o que torna o manejo da adubação, pautado na quantidade, qualidade e no momento correto de aplicação, um fator determinante para o sucesso da lavoura.
No quadro abaixo é apresentada a extração média de nutrientes por tonelada de grãos produzidos, conforme dados do Boletim Agronômico da OCP Brasil (2021):
| Nutriente | Extração (kg/tonelada de grãos) |
| Nitrogênio (N) | 92,0 |
| Fósforo (P2O5) | 18,0 |
| Potássio (K2O) | 43,0 |
| Cálcio (Ca) | 16,0 |
| Magnésio (Mg) | 8,3 |
| Enxofre (S) | 8,5 |
Evidencia-se que a cultura apresenta alta extração de Nitrogênio e Potássio, demanda moderada de Fósforo e Cálcio, e menor exigência de Magnésio e Enxofre.
Para o manejo da adubação é essencial diferenciar a extração (o que a planta absorve) da dose a ser aplicada. O manejo deve considerar as perdas inerentes ao sistema, como lixiviação, escoamento superficial e adsorção no solo, que reduzem a disponibilidade dos nutrientes para a cultura. Por essa razão, as doses aplicadas devem ser superiores às extraídas, seguindo as diretrizes do Manual de Calagem e Adubação (CQFS, 2016) para os estados do RS e SC.
Para uma produtividade de 70 sacas por hectare (4.200 kg/ha), a demanda de extração da planta é de:
– Nitrogênio (N): 386 kg/ha
– Potássio (K2O): 180 kg/ha
– Fósforo (P2O5): 76 kg/ha
– Cálcio (Ca): 67 kg/ha
– Enxofre (S): 36 kg/ha
– Magnésio (Mg): 35 kg/ha
Para uma precisa recomendação de adubação da soja, o produtor rural orientado por um Engenheiro Agrônomo deve fundamentar-se na análise de solo realizada após uma amostragem correta da lavoura, na cultura antecessora que interfere na qualidade e na quantidade de resíduo cultural deixado no solo, e na expectativa real de rendimento, pois quanto mais se pretende produzir, maior deverá ser a dose do fertilizante, o que se deve a maior extração de nutrientes pela cultura.
Um dos maiores diferenciais competitivos da soja é sua capacidade de realizar simbiose com bactérias do gênero Bradyrhizobium. Essa associação resulta na formação de nódulos radiculares, onde as bactérias convertem o nitrogênio atmosférico (que compõe 78% da atmosfera na forma de N2) em uma forma assimilável pela planta, num processo de denominado de fixação biológica de nitrogênio (FBN). Em contrapartida, a planta fornece energia (carboidratos) para a sobrevivência das bactérias, nesse caso, ambos se beneficiam do processo simbiótico.
Este processo é um importante pilar econômico e sustentável na produção de soja no Brasil. Quando a FBN é conduzida de forma eficiente, a necessidade de fertilizantes nitrogenados industriais é praticamente anulada, reduzindo drasticamente os custos de produção. Essa economia permite ao produtor direcionar investimentos para outras áreas essenciais, como o manejo fitossanitário e o equilíbrio dos demais nutrientes no solo. Essa condição torna a soja brasileira altamente competitiva no mercado internacional.
Anderson Clayton Rhoden.
Professor no Curso de Agronomia Uceff.






