
Estimativas indicam que, em Santa Catarina, cerca de 3% das pessoas com deficiência têm síndrome de Down. Em nível nacional, estudos apontam uma incidência de um caso a cada 700 nascimentos. Apesar dos desafios, histórias de protagonismo mostram que a condição não é impedimento para a autonomia e a realização pessoal.
Aos 24 anos, Ramon Meister é um exemplo disso. Natural de Itapema, ele é blogueiro e influenciador digital, com mais de 73 mil seguidores no Instagram. Com conteúdo leve e bem-humorado, compartilha seu cotidiano e conquista o público com seu estilo descontraído. Ao lado do pai, Marcos Meister, Ramon é presença frequente no XI Seminário sobre Síndrome de Down: Construindo Conexões e Superando a Solidão, realizado nesta terça-feira (7), no Auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
Promovido pela Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência, com apoio da Escola do Legislativo Lício Mauro da Silveira, o evento reuniu mais de 400 participantes, entre especialistas, representantes das Apaes de todo o estado, familiares e ativistas da causa.
A solenidade de abertura contou com a presença do presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência, deputado Dr. Vicente Caropreso (União Brasil); do deputado José Milton Scheffer (PP), proponente do seminário; da presidente da Federação Catarinense de Educação Especial, Jeane Rauh Probst Leite; do diretor de projetos das Associações de Síndrome de Down, Marco Antônio Costa; da representante da Secretaria de Estado da Saúde, Jaqueline Reginato; da vice-presidente da Federação das Apaes de Santa Catarina, Janice Krasniak; e da autodefensora das Apaes, Isabela Macedo de Ávila.
Combate à solidão e fortalecimento de políticas públicas
Para o deputado José Milton Scheffer, o seminário já se consolidou como referência no estado no debate sobre políticas públicas e conscientização. Segundo ele, o tema desta edição — “Construindo Conexões e Superando a Solidão” — busca enfrentar o isolamento social e fortalecer a rede de apoio.
“Quando o Brasil diz ‘Xô solidão’, estamos falando de direitos. Nenhuma pessoa com síndrome de Down pode ser invisível. Precisamos garantir inclusão, respeito, voz e oportunidades. A solidão que queremos combater é a ausência de políticas públicas”, afirmou.
O parlamentar também defendeu a construção de um país mais inclusivo. “Onde há inclusão, não há espaço para a solidão. Cada pessoa com síndrome de Down tem um papel importante na sociedade.”
O deputado Dr. Vicente Caropreso destacou os avanços de Santa Catarina na área. “Somos referência nacional em inclusão, com leis que impactam diretamente a vida das pessoas com síndrome de Down. Ainda há desafios, mas os avanços são evidentes”, disse. Para ele, o foco deve ser a construção de uma sociedade mais justa e humanizada. “Incluir é dever. Que este seminário gere aprendizado, diálogo e ações concretas.”
Espaço de troca e desafios atuais
A autodefensora das Apaes, Isabela Macedo de Ávila, ressaltou a importância do evento como espaço de troca de experiências. “Este é um fórum para compartilhar vivências, informações e promover capacitação”, afirmou.
A vice-presidente da Federação das Apaes, Janice Krasniak, destacou o papel do encontro na promoção de conexões. “Aqui, as pessoas com síndrome de Down constroem relações e superam a solidão. É um espaço de troca de experiências e de boas práticas.”
O diretor de projetos das Associações de Síndrome de Down, Marco Antônio Costa, lembrou a importância do 21 de março, Dia Internacional e Estadual da Síndrome de Down, e alertou para a necessidade de manter os avanços nas políticas públicas, especialmente na educação inclusiva. “Não podemos retroceder”, enfatizou.
Ele também chamou atenção para um desafio contemporâneo: a solidão social. Tema reforçado por Marcos Meister, pai de Ramon. “Hoje, há uma valorização excessiva das relações virtuais em detrimento das presenciais. O grande desafio é evitar o isolamento”, afirmou. Para ele, eventos como o seminário são fundamentais para promover conexões reais. “O que queremos, como pais, é que eles estejam felizes, inseridos e acolhidos em seus círculos sociais.”
A presidente da Federação Catarinense de Educação Especial, Jeane Rauh Probst Leite, reconheceu os avanços do estado, mas apontou lacunas. “Santa Catarina evoluiu muito na inclusão, mas ainda enfrenta desafios, como a ausência de residências inclusivas. Por isso, encontros como este são essenciais para avançarmos”, concluiu.
Programação
A programação tem como objetivo oportunizar atualizações e reflexões sobre inclusão social e escolar, rede de apoio e diagnóstico relacionados à Síndrome de Down, reunindo especialistas, profissionais da área e apresentações culturais.
A agenda iniciou às 9h30 com a mesa-redonda “Capacitismo em Debate: Vozes, Vivências e Ciência na Construção da Inclusão”, mediada por Fernando Silveira, com a participação das debatedoras Gabriella Souza e Laís Costa.
Na sequência, o público acompanhou uma apresentação cultural do grupo da Apae de Maracajá e o palestrante Leandro Rodrigues, que conduziu o tema “Estratégias Baseadas em Evidências para a Inclusão de Estudantes com Síndrome de Down”.
No período da tarde, às 13h, haverá apresentação da banda da Polícia Militar. Às 14h, Maria Minetto ministra a palestra “Corpo, afeto e autonomia: sexualidade e desenvolvimento da pessoa com Síndrome de Down”. A programação cultural retorna das 15h às 15h20 com nova apresentação da Apae.
Em seguida, das 15h20 às 16h20, Luciana Brites apresenta a palestra “Dificuldades de aprendizagem e transtornos específicos: compreendendo as diferenças para uma intervenção eficaz”. O encerramento está previsto para às 16h20, com café de confraternização.







