sexta-feira, março 27, 2026
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Furto de vírus em SP: quais riscos podem trazer à população?

Caso acende alerta para biossegurança

Imagem: Reprodução CNN Brasil

O furto de amostras virais em um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) acendeu um alerta sobre biossegurança e levantou dúvidas sobre possíveis riscos à população. Apesar da gravidade do caso, a chance de um vírus chegar ao público em geral ainda é considerada baixa — desde que protocolos sejam seguidos –, segundo um especialista.

A Polícia Federal deteve em flagrante a professora Soledad Palameta Miller, suspeita de subtrair amostras virais de um laboratório de alta segurança. Ela teria usado sua influência como professora para conseguir ter acesso ao local restrito.

Segundo o médico infectologista e professor da UNIFESP Klinger Faíco, vírus utilizados em pesquisa são armazenados sob condições altamente controladas. “O armazenamento é feito por criopreservação, com ultrafreezers de alta precisão e, em alguns casos, nitrogênio líquido. Esses materiais ficam em criotubos selados, dentro de estruturas com acesso restrito e monitorado”, explica ele.

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Risco existe, mas é baixo

Apesar do controle rigoroso, há risco de contaminação. “Para que um vírus chegue à população, ele precisaria vencer várias barreiras de segurança, como o frasco, o freezer, a sala trancada e sistemas de filtragem de ar”, afirma o especialista.

Na prática, segundo o médico, os cenários mais preocupantes envolvem falhas humanas ou descarte inadequado de material biológico.

Caso um vírus com alto potencial de transmissão escape dessas barreiras, o impacto pode variar. “Se for um patógeno que não circula na região, a população pode não ter defesa imunológica, o que aumenta o risco de surtos localizados e até hospitalizações em massa”, alerta.

Os maiores possíveis afetados são alunos e pesquisadores na linha de frente do contato com amostras. Há o risco de infecção acidental de profissionais que lidam diretamente com os vírus. “O maior perigo costuma ser a infecção ocupacional, quando um funcionário é contaminado sem perceber”, diz.

Em caso de falha de protocolo, pode haver contato direto ou inalação de partículas virais.

“Nesses casos, é fundamental ativar protocolos de monitoramento para identificar possíveis infecções ocupacionais”, explica o profissional.

Incidentes são raros em ambientes de pesquisa

Mesmo com o alerta, o médico destaca que esse tipo de ocorrência é incomum. Em ambientes de pesquisa, falhas de biossegurança são tratadas como eventos graves e raros, que desencadeiam investigações rigorosas e podem levar até à interdição de laboratórios.

O Brasil, segundo o infectologista, segue padrões internacionais. “As normas são baseadas em diretrizes da OMS e contam com regulamentação de órgãos como a Anvisa e a CTNBio. Laboratórios de nível mais alto têm infraestrutura comparável à dos melhores do mundo”, afirma.

Medidas imediatas

Em situações de suspeita de contaminação ou vazamento, as medidas devem ser rápidas e rigorosas e contam com isolamento da área, identificação de todos que tiveram acesso ao local, desinfecção com agentes químicos específicos e comunicação às autoridades de saúde.

A depender do tipo de vírus envolvido, a resposta pode incluir monitoramento de contatos e outras ações preventivas.

Dinâmica do crime e investigação

O desaparecimento de caixas com amostras virais foi notificado para as autoridades no dia 13 de fevereiro. A falta foi sentida pelo Laboratório de Virologia Aplicada.

De acordo com informações da PF, a professora furtou o material e o transferiu para freezers de outros pesquisadores, descartando frascos em lixos comum, no caminho.

As investigações contam com ajuda da Anvisa, que localizou o material aberto e manipulado, encaminhando-o para análise no Ministério da Agricultura.

Os crimes investigados incluem furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.

Medidas adotadas

A Justiça Federal concedeu liberdade provisória à investigada mediante o pagamento de fiança e a proibiu de frequentar os laboratórios da universidade.

Em nota oficial, a Unicamp afirmou colaborar integralmente com o inquérito e reiterou que os envolvidos serão responsabilizados conforme a lei. A universidade abriu uma investigação interna para apurar os fatos.

Por: CNN Brasil

*Com informações de Beto Souza, da CNN Brasil.

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