
Mark Zuckerberg compareceu nesta quarta-feira (18) a um tribunal na Califórnia, onde testemunha em um processo inédito que pode redefinir a responsabilidade das grandes plataformas sobre o design viciado de redes sociais para crianças.
Mark Zuckerberg, diretor-executivo da Meta — empresa controladora do Facebook e do Instagram —, chegou hoje ao tribunal em Los Angeles para depor no que pode ser um dos julgamentos mais significativos envolvendo tecnologia e saúde pública dos últimos anos. O caso busca determinar se as plataformas digitais foram deliberadamente projetadas para serem viciantes, especialmente para usuários jovens.
Familiares de jovens que sofreram problemas de saúde mental ou faleceu em decorrência de desafios relacionados às redes sociais acompanharam a chegada ao tribunal, carregando fotos e mensagens que denunciam os efeitos nocivos do uso prolongado dessas plataformas. “Perdemos nossos filhos… precisamos que estas plataformas tenham limites”, declarou um dos presentes.
Ao contrário de processos que contestam conteúdos individuais, o foco deste julgamento é o design das plataformas. A acusação, movida pelos advogados de uma jovem de 20 anos, sustenta que funcionalidades como notificações constantes, reprodução automática de vídeos e filtros de beleza foram criadas para manter crianças e adolescentes conectados por mais tempo — transformando esses serviços em verdadeiros “casinos digitais”.
Durante o depoimento, Zuckerberg defendeu as políticas de segurança e as ferramentas de controle parental implementadas pela Meta, mas foi confrontado com documentos internos que sugerem que a empresa teria priorizado métricas de crescimento e retenção de usuários em detrimento do bem-estar dos menores.
A defesa argumentou que os desafios de saúde mental da autora da ação têm raízes em fatores familiares e pessoais, e que as redes sociais teriam sido apenas um “mecanismo de escape”.
Este caso é o primeiro de mais de 1.600 processos similares nos Estados Unidos. Caso o júri decida contra a Meta e a Google, o veredito poderá forçar mudanças profundas na arquitetura das redes sociais e abrir caminho para indemnizações multimilionárias, alterando o modo como as grandes empresas de tecnologia são legalmente responsabilizadas pelo impacto de seus produtos sobre usuários mais jovens.






