
Chapecó se tornou a primeira cidade da América Latina a contar com um sistema de proteção antigranizo em área urbana. O equipamento foi inaugurado nesta segunda-feira (2), na rua Quilombo, no bairro Efapi, e vai proteger uma área de aproximadamente 80 hectares, o equivalente a 112 campos de futebol. A iniciativa busca reduzir os prejuízos causados por temporais, especialmente em regiões que historicamente sofrem com danos em residências.
O sistema é composto por uma torre de cinco metros de altura, chegando a oito metros com a estrutura de abafamento de som, e utiliza tecnologia de ondas sonoras direcionadas à atmosfera, em até 15 mil metros de altura. O objetivo é interferir na formação das pedras de gelo dentro das nuvens, fazendo com que o granizo se fragmente e chegue ao solo em forma de chuva ou gelo sem força de impacto.
De acordo com o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, o investimento de R$ 972.510,28 vai proteger uma das áreas mais sensíveis do município, que já registrou grandes prejuízos em temporais anteriores. Segundo ele, a proposta é mudar a lógica da atuação do poder público, deixando de agir apenas após os danos. “Em vez de entregar telhas depois do ocorrido, estamos inovando e protegendo a população. Vamos instalar este equipamento no Efapi e também mais dois, sendo outro no bairro e um no distrito de Marechal Bormann, onde mais de mil casas foram danificadas em 2022”, afirmou.
O diretor de Proteção e Defesa Civil de Chapecó, Walter Parizotto, explicou que a escolha pelo sistema sonoro ocorreu após estudos e visitas técnicas a regiões que já utilizam tecnologias semelhantes. O método é aplicado há anos em áreas rurais de alto valor produtivo, como o Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, e em regiões produtoras de maçã em Santa Catarina. Há também uso em países da Europa e em pátios de montadoras de veículos no Brasil. “Mas para proteção de área urbana, Chapecó será a primeira da América Latina”, destacou.
Segundo Parizotto, o município optou por não utilizar sistemas que empregam iodeto de prata, devido ao potencial de geração de resíduos ambientais. O modelo adotado em Chapecó não deixa resíduos químicos no meio ambiente e opera com monitoramento constante das condições climáticas.
Uma empresa contratada pela Prefeitura fará o acompanhamento meteorológico 24 horas por dia. O acionamento do sistema ocorre de forma remota, cerca de 15 minutos antes da previsão de chegada de nuvens com potencial de granizo. A estimativa é de que o equipamento seja acionado de sete a dez vezes por ano. O funcionamento gera um ruído semelhante ao disparo de um revólver calibre 22, mas a estrutura de isolamento acústico reduz o som de 92 para 72 decibéis, mantendo os níveis dentro da legislação.
Para informar a população, a Defesa Civil distribuiu material impresso aos moradores do entorno e criou um grupo de WhatsApp para comunicar previamente sobre os acionamentos do sistema, evitando sustos e esclarecendo dúvidas da comunidade.
Durante o ato de inauguração, a Prefeitura também assinou a licitação para a implantação de 12 mini estações meteorológicas no município. Os equipamentos vão auxiliar no monitoramento do clima e fornecer dados para ações preventivas da Defesa Civil, além de contribuir com informações para o setor agropecuário.
O evento contou com a presença de secretários municipais, lideranças comunitárias, vereadores e representantes de instituições de segurança pública. Integrantes da Defesa Civil de Erechim (RS), cidade que recentemente registrou grandes prejuízos causados por granizo, acompanharam a inauguração para conhecer o funcionamento do sistema implantado em Chapecó.
O equipamento instalado tem autonomia energética, funcionando com energia solar, o que garante operação mesmo em casos de queda de energia durante temporais. A tecnologia é de origem espanhola e tem vida útil estimada em até 20 anos, com necessidade apenas de manutenções preventivas e recarga dos cilindros de gás utilizados no processo de geração das ondas sonoras.










