
A Polícia Civil de Goiás revelou detalhes sobre o assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, morta em Caldas Novas. Segundo as investigações, o crime foi cometido pelo síndico do condomínio onde a vítima morava, Cléber Rosa de Oliveira, de 50 anos, que utilizou pontos cegos do sistema de câmeras para atrair Daiane até o subsolo e cometer o homicídio. A corretora estava desaparecida havia 42 dias e o corpo foi localizado nesta quarta-feira (28), em uma área de mata no município de Ipameri, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas.
De acordo com a polícia, Cléber confessou o crime, mas não detalhou como matou a vítima. Ele afirmou ter agido sozinho após uma discussão acalorada ocorrida no dia 17 de dezembro de 2025, data do desaparecimento. O síndico também declarou que o filho, Maicon, preso durante as investigações, é inocente. A polícia apura se o jovem auxiliou na ocultação de provas.
Imagens de câmeras de segurança registraram Daiane descendo até o subsolo do prédio pouco antes de desaparecer. Momentos antes, ela havia enviado um vídeo a uma amiga mostrando que a energia elétrica de seu apartamento havia sido cortada. No elevador, a corretora afirmou que iria ao subsolo para verificar o que havia ocorrido. Segundo a Polícia Civil, o local dos disjuntores é um ponto cego das câmeras, o que teria sido usado por Cléber para cometer o crime sem ser filmado.

Ainda conforme a investigação, após o assassinato, Cléber colocou o corpo da vítima na carroceria de uma picape e deixou o condomínio. Imagens mostram o veículo saindo com a capota fechada e retornando cerca de 40 minutos depois com a capota aberta. O próprio síndico levou a polícia até o local onde abandonou o corpo, em uma área de mata no sul de Goiás.
O delegado André Barbosa afirmou que o crime foi motivado por um histórico de atritos entre o síndico e a corretora. Os conflitos teriam começado após Cléber perder a administração de alguns apartamentos da família de Daiane. Ao todo, existem 12 processos envolvendo os dois.

Após o avanço das investigações, o Ministério Público de Goiás denunciou Cléber pelo crime de perseguição, o chamado stalking, com agravante de abuso de função. Segundo a denúncia, ele utilizava o cargo de síndico para criar obstáculos à rotina da vítima, monitorando sua movimentação e a de hóspedes por meio das câmeras do condomínio, além de submetê-la a constrangimentos. O MP aponta ainda que imagens da corretora eram enviadas por Cléber à própria irmã.
A mãe da vítima, Nilse, relatou que a família já enfrentava conflitos com o síndico havia cerca de um ano. Segundo ela, Cléber perseguia Daiane e tentava retirá-la do prédio, agindo como se tivesse autoridade absoluta sobre o condomínio. Nilse descreveu o período de buscas como um “pré-luto”, marcado por medo e angústia. “Foram 43 dias de desespero, com o risco de não encontrar o corpo dela”, afirmou.
Além do histórico no condomínio, investigações apontam que Cléber atuou como professor entre 2017 e 2020 em escolas da cidade de Catalão, no sul de Goiás, onde teria apresentado comportamento conturbado e sido demitido de instituições de ensino, conforme reportagem da TV Anhanguera.
A Polícia Civil segue apurando a participação de terceiros e possíveis tentativas de ocultação de provas no caso.
Fontes: G1 / Jornal Correio








