
O Agronegócio comemora resultados antes jamais vistos, apesar de projetados, devido ao grande potencial do Brasil em diversas culturas. O destaque de 2021, sem dúvida, foram as exportações com foco para carnes e grãos.
Porém juntamente com os avanços vêm os desafios. Hoje o principal deles é encarar tudo de frente e seguir produzindo no mesmo ritmo e continuar convivendo com o frequente aumento dos insumos.
Fertilizantes

Um exemplo claro, são os preços dos fertilizantes que dispararam chegando ao patamar de elevação acima de 100%. A preocupação neste sentido só não é maior em decorrência dos produtores terem suas necessidades para a safra 2021/2022 em estoque.
A luz amarela se acende quando vislumbramos a próxima safra. Prova desta preocupação foi a iniciativa a nível governamental para tratar do tema. Recentemente em reunião da Câmara Temática de Insumos Agropecuários do Mapa, foi criado um grupo de monitoramento em assessoramento sobre fertilizantes. O grupo será formado por representantes de agricultores, da indústria de defensivos e fertilizantes e de distribuidores desses insumos com o objetivo de reforçar a atenção sobre o fornecimento de produtos e para regularizar a importação para a próxima safra.
A preocupação do mercado em relação ao abastecimento é reflexo da crise pós-covid e energética vivida por parceiros comerciais como a China. Além do país asiático, Rússia, Canadá e Belarus são importantes fornecedores de fertilizantes para o Brasil.
Mesmo assim, o volume de importação de fertilizantes no país bateu, em outubro, a marca histórica de 33,8 milhões de toneladas. O número indica um maior investimento na safra atual, bem como um aumento de área plantada das principais commodities nacionais, como soja e milho. A previsão da Conab é de que o Brasil importe, nos próximos meses, mais de 35 milhões de toneladas desses insumos.
Os impactos da estiagem
Esse é outro ponto desafiador, principalmente para o mercado de grãos, com uma complexidade maior para o Sul do País. O Brasil viu a balança comercial atingir patamares recordes e um mercado internacional aquecido. O que é excelente por um lado e gera apreensão por outro, pois estados como Santa Catarina, apesar de ter elevadas produções em algumas culturas, é deficitário em milho. Pensando nisso, políticas públicas têm sido apresentadas e implementadas por várias esferas de Governo. Em nosso Estado serão investidos R$ 100 milhões nos próximos três anos em programas que visam prevenir e dar suporte aos agricultores para os momentos de crise e impactos relacionados à estiagem. Já à nível federal notamos linhas de créditos e ações visando estimular projetos de irrigação.
Previsões climáticas para o semestre
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apresentou em novembro pela primeira vez, a previsão climática com tendências de chuvas e temperaturas para os próximos seis meses. A previsão, que iniciou no final de novembro de 2021 e se estende até abril de 2022, é baseada na observação de dados passados e no comportamento da atmosfera, sendo diferencial para a tomada de decisão do produtor rural, para o planejamento da geração hídrica e a viabilidade do transporte nas principais bacias hidrográficas do país. Novembro se mostrou um mês com muita chuva na faixa centro-norte do Brasil. A previsão para dezembro indica chuvas abaixo da média (entre 10 e 50mm) no Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina.
Desafios sanitários e os embargos
Neste ano, Paraná e Rio Grande do Sul obtiveram o reconhecimento de zonas livres de febre aftosa sem vacinação juntamente com outros quatro estados brasileiros, o que ampliou a relação com Santa Catarina que assim como o país é um exemplo. Mas o ano tem sido desafiador, principalmente depois de embargos promovidos pela China (maior comprador), Rússia e até mesmo os Estados Unidos estudaram sanções. Os motivos? Os focos do chamado ‘Mal da Vaca Louca’.
O clima de apreensão foi amenizado pelas últimas notícias. O Ministério da Agricultura recebeu em novembro, comunicado da Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, sigla em inglês) sobre a liberação dos lotes de carne bovina brasileira que receberam a certificação sanitária nacional até o dia 3 de setembro de 2021. As cargas de carnes já estavam em trânsito para a China, quando o Brasil identificou e comunicou ao país asiático, dois casos atípicos da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) registrados em Nova Canaã do Norte (MT) e em Belo Horizonte (MG).
A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que é a entidade internacional que acompanha estes aspectos, analisou as informações prestadas em decorrência dos dois casos de EEB atípica e reafirmou o status brasileiro de “risco insignificante” para a enfermidade. O Brasil já encaminhou todos os documentos solicitados pelas autoridades chinesas, que estão analisando as informações enviadas. E recentemente a Rússia reabilitou mais 12 plantas frigoríficas brasileiras a exportar carne bovina e de suínos ao país. A informação consta de lista publicada no site oficial do Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária do país (Rosselkhoznadzor).
2021: Um ano de grandes avanços
O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2021 está estimado em R$ 1.119 trilhão, 9,9% maior em comparação ao do ano passado (R$ 1.019 trilhão). O valor foi calculado com base nas informações de outubro. De acordo com levantamento da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, as lavouras cresceram 11% e a pecuária, 6,2%. As plantações representam 68% do valor total e a pecuária, 32%.








