Análise: Chape mereceu perder para o lanterna

Verdão ‘desliga em campo’, sofre com falhas coletivas no setor defensivo e perde a oportunidade de se afastar definitivamente da zona de rebaixamento

A derrota por 2 a 1 para o Atlético-GO é preocupante. Não somente pela limitação técnica do adversário, mas pela fraca atuação da Chapecoense durante todo o jogo. Ao contrário das derrotas para Botafogo, Atlético-MG e Grêmio, onde o Verdão conseguiu produzir jogadas ofensivas e pecou nas finalizações, desta vez não houve qualidade no toque de bola para chegar ao gol adversário com perigo.

Das oito tentativas consideradas certas, apenas duas foram com a bola rolando: chute de Apodi, quase sem ângulo, e cruzamento de Penilla, que acabou batendo na trave direita do goleiro Felipe. No restante, foram finalizações que iniciaram com bola parada – inclusive o gol de Luiz Otávio, na cobrança de escanteio de Lucas Marques, aos 39 minutos do primeiro tempo.

Defensivamente, os gols sofridos ‘não surgiram por acaso’. O Atlético-GO teve boas chances durante os 90 minutos. Foram duas bolas na trave – no primeiro tempo, com Paulinho, e no segundo, com Jonathan – que não entraram por pouco. Nos dois gols do Dragão, o time parecia estar ‘desligado’ em campo. No primeiro deles, inclusive, Luiz Otávio não conseguiu parar Luiz Fernando, que rolou para Diego Rosa marcar.

Para os 9744 torcedores que foram a Arena Condá, a frustração foi o sentimento que tomou conta das arquibancadas. Ao final do jogo, vaias justas para a equipe. A Chapecoense, aliás, junta-se a Avaí e Ponte Preta, na lista dos seletos Clubes que perderam para o time goiano em 17 rodadas da Série A.

Reinaldo não consegue repetir as boas atuações do início da temporada. De acordo com o Footstats, é o jogador da Chape que mais erra passes na Série A (Sirli Freitas)


Demora para substituir

A Chape deveria ter voltado para o segundo tempo com pelo menos uma substituição. O auxiliar Emerson Cris, que esteve a frente da equipe, demorou para mexer. E logo após promover as entradas de Lourency e Luiz Antônio, aos 18 e 21 minutos, respectivamente, o Atlético-GO marcou o primeiro gol. Até a entrada de Penilla poderia ter sido antecipada. Mesmo que o equatoriano não tenha condições físicas ideais, a presença dele em campo animou a torcida, que passou a participar da partida com mais intensidade. Penilla chegou a acertar a trave direita de Felipe, aos 40 do segundo tempo.

Insistência em alguns jogadores

As vaias para o lateral-esquerdo Reinaldo, nos momentos finais de partida, mostram que a fase do jogador não é das melhores. Capitão da equipe contra o Atlético-GO e um dos líderes do elenco, Reinaldo não consegue repetir as boas atuações do início da temporada. A pressão da torcida chega em um momento que Diego Renan vem atuando mostrando um bom futebol. Outros jogadores, como Luiz Otávio e Seijas, também tiveram atuações abaixo do esperado.

Seijas deslocado pela direita

Seijas não vive boa fase. Além disso, não consegue atuar deslocado, aberto pela direita. A posição do venezuelano não é a ideal. Nos jogos que chamou a atenção, no início da Série A, ocupava a faixa central do gramado, recebendo a bola para armar, e não para partir para cima do adversário. No esquema que Eutrópio está utilizando, a presença de Lourency, Penilla ou até mesmo Guerrero pode se tornar mais eficaz.

12ª colocação na tabela

A posição da Chape na tabela de classificação é boa. Porém, os três pontos diante do Atlético-GO afastariam de vez qualquer ameaça maior em relação a zona de rebaixamento. O Verdão poderia chegar aos 24 pontos e encostar no G-6, o que daria tranquilidade para os dois próximos confrontos e, consequentemente, para a virada do turno. Hoje, a Chape está na 12ª colocação, com 21 pontos somados, a quatro do Z-4. Entretanto, a diferença pode diminuir, caso o Atlético-PR, 17º, some pontos contra o Vasco, hoje à noite, em São Januário.

Nada está perdido

A arrancada no início do Campeonato Brasileiro segue aliviando a perda de pontos dentro da Arena Condá. Mesmo assim, nos dois próximos jogos, contra Bahia, em casa, e Coritiba, fora, o ideal seria somar quatro pontos e chegar aos 25. A derrota para o Dragão aumenta a necessidade de vencer o Bahia, 19h30, quarta-feira (02), na Arena Condá. A virada do turno sem uma pontuação agradável pode atrapalhar, inclusive, a tranquilidade dos amistosos no exterior. 

*Publicado pelo repórter do Portal Clic RDC, Mateus Montemezzo