365 dias depois do impeachment de Dilma: O que mudou? - ClicRDC | Notícias de Chapecó e do mundo

365 dias depois do impeachment de Dilma: O que mudou?

Especialista fala sobre as mudanças que aconteceram no primeiro ano após o impeachment da presidente. 

(Dida Sampaio)

 

O dia 31 de agosto será lembrado na história como o data em que Dilma Rousseff deixou a presidência do Brasil de forma definitiva, através de processo de impeachment, que a depôs de seu mandato. Um ano depois, pesquisas mostram que a mudança ainda não agrada a população. Com Michel Temer no comando do país, os escândalos políticos continuam e envolvem também o nome do novo presidente. 

O Clic RDC procurou o especialista em Comunicação Politica e professor universitário, Vagner Dalbosco, para entender quais foram as principais mudanças em relação a benefícios e retrocessos, pelas quais o país passou nestes 365 dias. 

De acordo com Dalbosco, o país ainda tem muitos problemas a serem resolvidos. “O processo de impeachment pode ter gerado uma perspectiva de que o país iria melhorar, porém hoje é notório que o impeachment não teve um efeito como era esperado pela maior parte da sociedade. Temos, inclusive, retrocesso em muitas políticas públicas”, comenta.  

O professor relembra a época em que Dilma foi deposta e todos os fatores que antecederam o impeachment. De acordo com ele  quando a presidente Dilma teve o mandato cassado, já vinha ocorrendo um desgaste significativo na figura dela e no seu governo. Conforme o especialista, um dos principais fatores para que ela perdesse o mandato é que, em 2014, alguns indicativos já apontavam uma certa fragilidade do ponto de vista econômico do país e mesmo assim, Dilma comprometeu-se a manter algumas de suas políticas, que não cumpriu.  “No seu segundo mandato, ela mudou substancialmente a política econômica do País”, destaca. 

A partir da mudança no perfil político, população brasileira passa a ter  perda do poder aquisitivo. “Isso geralmente é um fator que influência muito na queda de popularidade de um governo”, diz Vagner. Ele ressalta que, para o sucesso de um governo, a questão econômica é muito importante. “Quando as pessoas começam a sentir dificuldades nos valores de combustível, de supermercado e demais gastos do dia-a-dia, elas tendem a avaliar mal o governo”, comenta. 

O professor avalia que Dilma nunca foi uma pessoa com muitas habilidades políticas para fazer uma articulação em um governo de coalizão, formado por muitos partidos, onde é necessário ter habilidade e flexibilidade para negociar. “Além disso, um acúmulo de escândalos de corrupção, unidos à fragilidade na economia e a mudança de perfil de governo fizeram com que determinados segmentos da sociedade, cansados com as políticas públicas desenvolvidas desde o governo Lula e continuadas no governo Dilma, fizessem movimentos para desgastar ainda mais o governo que já estava frágil na opinião pública”, ressalta Dalbosco. 

365 dias de mudança

Em relação aos reflexos da transição de governo, Dalbosco fala sobre um dos principais argumentos da época, o de que a economia não ia bem. Na sua avaliação, hoje alguns  segmentos  conseguiram ter uma recuperação, como a indústria e a agropecuária. Mas há muitos indicadores negativos, como o desemprego. “Na época eram mais de 10 milhões de desempregados e esse ano esse número chegou a até 15 milhões de brasileiros”, comenta.

A recuperação econômica, porém, se dá em alguns aspectos e outros não, visualiza Dalbosco.  Segundo ele, o que mudou foi o clima entre alguns segmentos econômicos que hoje sentem-se representados pelo governo TemerMas para o trabalhador ainda há diversas dificuldades no que se refere na manutenção das suas necessidades básicas diárias, como o aumento do combustível, que impacta no aumento do transporte e consequentemente no aumento dos bens de consumo.

“Hoje temos um governo muito contaminado com corrupção. Temos a figura do presidente da república claramente envolvida em casos de corrupção. Hoje não se percebe de uma forma tão visual a indignação das pessoas em relação ao governo, não vemos as pessoas indo para a rua e fazendo manifestações”.

Isso não quer dizer que as pessoas estão satisfeitas, pois pesquisas mostram que apenas 5% da população aprova o governo Temer. Ou seja, a grande maioria da população reprova esse governo.

O professor observa que os mesmos segmentos da sociedade que se articularam para a queda de Dilma, hoje estão silenciados e não demonstram as mesmas indignações envolvendo corrupção em relação ao atual governo. Principalmente as entidades empresariais, que foram grandes fomentadoras do impeachment. 

Vagner finaliza que, do ponto de vista político, pouco mudou, embora tenha mudado o Governo, atualmente o presidente continua a incorporar  no seu governo uma série de partidos políticos e há muitas moedas de troca como cargos, emendas e leis, que visam angariar apoio da sociedade. Em contrapartida alguns segmentos como a educação tem perdido muitos recursos.

Para finalizar, o especialista aponta que a grande mobilização da população deve ocorrer nas urnas, em 2018. 

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