Polícia Civil deflagra Operação Caronte em Chapecó

Adolescentes e jovens foram detidos. Eles são investigados por articularem o início de uma organização criminosa na área leste do município.

Delegado Tiago Escudero e Delegado regional Wagner Meireles em entrevista coletiva. (Foto: Willian Ricardo/ClicRDC)

A Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) da Polícia Civil (PC) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (31), a Operação Caronte, no bairro São Pedro, área leste de Chapecó.

O delegado de polícia e coordenador da operação, Tiago Escudero, informou que a ação contou com mais de 30 policiais e teve como objetivo cumprir mandados de busca, apreensão e prisão de investigados pelos crimes de tráfico de drogas, roubo, ameaça e corrupção de menores. A investigação descobriu que um grupo articulava o início de uma organização criminosa no determinado bairro.

Ao todo, foram expedidos nove mandados de busca e apreensão, com objetivo de localizar provas e oito mandados de condução: quatro para internação de adolescentes e os demais de prisões temporárias de adultos. Três dos procurados não foram localizados e são considerados foragidos pela polícia. 

Conforme Escudero, o grupo tinha como referência os arredores da Escola Parque Cidadã Leonel de Moura Brizola. “Eles não tinham um ponto fixo, certamente para evitar as diligências policiais. Eles usavam  a estrutura de uma caixa d’água da escola, que fornece uma visão privilegiada do local, para observar a aproximação da polícia”, comentou o delegado.

Escudero acredita que, estes investigados começaram a ganhar força no comércio de drogas, após a prisão de diversos traficantes durante a Operação Woodstock Condá. Com isso, parte dos usuários passaram a procurar outros grupos de tráfico. “Antes a gente sempre ouvia falar em briga de faca, disparo de arma de fogo nos arredores, por que um foi vender droga no ponto do outro. Depois eles passaram a aparecer juntos em boletins registrados pela PM”, analisou.

Além de ameaçarem funcionários da escola e moradores vizinhos, os indivíduos também começaram a roubar as câmeras de vigilância da instituição escolar, com objetivo de garantir o ponto de tráfico. “A partir disso, nós montamos essa operação para desarticular logo no início e não deixar que se instalassem de vez esse grupo que já começava a ganhar forma nos arredores”, comentou o delegado.

Materiais apreendidos pela Polícia Civil (Polícia Civil/Divulgação)

Durante a operação, os policiais apreenderam um revólver calibre. 38, munições, aparelhos de telefone celular, balança de precisão e dinheiro. O material será periciado e ao final das investigações, encaminhado ao Ministério Público e Poder Judiciário.  Ao todo, três adolescentes foram conduzidos ao Departamento de Administração Socioeducativa (Dease) e dois homens à Penitenciária de Chapecó.

Operação Caronte

O nome da operação faz referência à uma mitologia grega, onde Caronte é o barqueiro de Hades, Deus do inferno. A sua função era transportar para o outro lado do rio Estige e Aqueronte, que dividiam o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Mesquinho e apegado ao dinheiro, não recebia na sua barca as almas daqueles que não lhe pagavam a passagem, obrigando estas almas a vagar por 100 anos às margens dos rios.

Escudero analisa que o traficante, como um barqueiro do inferno, leva as crianças e adolescentes para o outro lado do submundo das drogas, destrói famílias e comunidades, e o faz tudo com o único interesse em enriquecer. Aqueles que não podem pagar para sustentar seu vício são obrigados a praticar delitos, ou aliciados para trabalhar para o tráfico, ingressando no mundo do crime e das drogas, muitas vezes, um caminho sem volta.