Médico é condenado por cobrar para atender pelo SUS em Chapecó - ClicRDC | Notícias de Chapecó e do mundo

Médico é condenado por cobrar para atender pelo SUS em Chapecó

Defesa informou que vai recorrer da decisão

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) divulgou nesta quarta-feira (6), que um médico neurocirurgião foi condenado por cobrar para realizar cirurgias pelo Sistema Único de Saúde, o SUS, em Chapecó. Cobrar por qualquer procedimento pelo SUS é crime, pois o atendimento pelo sistema é gratuito.

De acordo com o MPSC, o neurocirurgião foi condenado a dois anos e quatro meses de prisão – pena substituída por serviços à comunidade e ao pagamento de 10 salários mínimos a uma entidade público com destinação social -, por concussão e por crime continuado.

Através de uma decisão judicial em ação penal do Ministério Público, de 9 de janeiro deste ano, o órgão determinou ainda que o médico pague multa e repare os danos causados às vítimas: R$ 3 mil para uma e R$ 5 mil para outra. O Promotor de Justiça Eduardo Sens dos Santos, de Chapecó, já recorreu da decisão requerendo o aumento das penas.

Na ação penal, o Ministério Público demonstrou ao Judiciário que o médico, plenamente ciente da ilicitude de seus atos, aproveitava-se da situação de vulnerabilidade das vítimas e de médico do Hospital Regional do Oeste (HRO), em Chapecó, para exigir de pacientes dinheiro para furar a fila do SUS. Depoimentos de duas vítimas e auditoria do próprio Hospital Regional detalharam a forma utilizada pelo médico para burlar o sistema.

O MP afirma que o médico realizava a consulta em seu consultório particular e cobrava do paciente – em um caso recebeu R$ 3.000,00 e em outro R$ 5.000,00 – para realizar o procedimento pelo SUS no Hospital Regional do Oeste, onde também trabalhava.

– “Há uma ‘porta de entrada’ ao sistema, que deve ser respeitada por todos, e que serve para dar concretude aos princípios do SUS. Não é justo que alguns pacientes utilizem de outras entradas para acelerar seu tratamento enquanto atrasam o de outros pacientes. 100% público ou 100% privado: essas são as opções. Se o atendimento iniciou em um dos sistemas, deve manter-se nele, sob pena de ruptura de toda a estrutura”, explica Sens.

SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) tem como princípios básicos a universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência; a integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema; e a igualdade sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie.

“O serviço do SUS é gratuito, e essa gratuidade abrange a assistência por completo. Tanto é que o artigo 95 do Código de Ética Médica veda de forma expressa cobrar honorários de paciente assistido em instituição que se destina à prestação de serviços públicos, ou receber remuneração de paciente como complemento de salário ou de honorários”, ressalta o Promotor de Justiça.

Demora nas cirurgias

Na decisão, a Juíza Letícia Bodanese Rodegheri afirma que o delito denunciado está caracterizado e que além de ter recebido valores indevidos, o réu provocava um atraso maior na fila do SUS. “Os novos pacientes, que entravam pelo ambulatório do Hospital Regional do Oeste, desistiam de aguardar a cirurgia gratuita e procuravam a rede privada para acelerar o processo”, escreveu a Juíza.

No recurso para aumentar as penas, o Promotor de Justiça requer a majoração das penas de multa para o valor de R$ 78 mil, considerando o patrimônio do réu.

Contrapontos

Defesa do médico – O advogado Fábio Detoni conversou com o ClicRDC por telefone. Segundo ele, a defesa entende que a sentença não está correta e por isso entrou com um recurso.

Hospital Regional do Oeste – O Hospital informou que não vai se manifestar. “De qualquer forma, o Hospital sempre colaborou com as autoridades, MP e Judiciário e assim continuará sendo”, disse a assessoria de comunicação do HRO.