‘Ele dizia que eu ia morrer, que eu não era digno de estar vivo’ – conta homossexual agredido no Centro de Chapecó - ClicRDC | Notícias de Chapecó e do mundo

‘Ele dizia que eu ia morrer, que eu não era digno de estar vivo’ – conta homossexual agredido no Centro de Chapecó

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Foto: Eduardo/Arquivo. O jovem conta que imaginava que iria morrer.


“Eu tenho medo de sair na rua, sabe? Eu tenho medo de todo mundo. Tenho medo de sair de dentro de casa, porque foi uma experiência muito ruim, nunca passei por isso, foi a primeira vez na minha vida”. Esse é o relato do jovem Eduardo Damasceno Woynham, de 23 anos. Ele foi agredido por volta das 03h 45min da madrugada de sábado (19), na Avenida Getúlio Vargas, Centro de Chapecó. O jovem acredita que foi agredido por ser homossexual.

Foto: Eduardo/Arquivo.

Durante a tarde desta segunda-feira (21), o ClicRDC conversou com Eduardo. Ele conta que caminhava pela Avenida, quando ouviu dois homens falarem “veado tem que virar homem ou morrer”, em seguida foi abordado pelos indivíduos, momento que inciaram as agressões “um cara se agarrou no meu pescoço e nas minhas costas e já me derrubou no chão. Em seguida, eu comecei a levar um monte de ponta pé, soco, coice e o homem dizia que eu ia morrer, que eu não era digno de estar vivo, que gay tinha que morrer”, contou a vítima.

O rapaz contou ainda que eram dois homens e enquanto um lhe segurava o outro lhe agredia. O jovem também teria sido ameaçado de morte. O ataque teria durado cerca de 10 minutos, até que um casal que passava pelo local interveio na ação. “Eu estava quase desmaiando, quando chegou um casal e abordaram eles e tiraram ele de cima de mim, mas como eu estava com muito medo, sai correndo, não consegui ficar no local” , disse o jovem.

O jovem ficou com diversos hematomas e ferimentos pelo corpo. Ele conta que só percebeu os sinais já em casa. ”Na hora eu não senti dor, foi quando eu cheguei em casa que comecei a senti dor. Até agora não consigo levantar direito. Está doendo bastante porque eu recebi muito coice, estou cheio de hematoma em todo meu corpo”,  disse o rapaz.


Foto: Eduardo/Arquivo.


Eduardo não acredita em tentativa de roubo. “Se fosse por roubo de alguma coisa, eles iam levar meu celular que estava em minha mão. Só diziam assim: ‘você vai morrer. Você vai virar homem. Você tem que honrar o que você tem’ O que me machucou foi o que eu ouvi. Dói bastante ainda”, finaliza Eduardo. Ele não hregistrou Boletim de Ocorrência (BO) sobre o caso. Pretende fazer o registro ainda na tarde desta segunda-feira, para tomar os devidos encaminhamentos necessários.

A POLÍCIA

Conforme a Polícia Militar (PM) de Chapecó, como o jovem não registrou o B.O, não havia informações do caso. 

NOTA DE REPÚDIO

A União Nacional LGBT – Chapecó publicou uma nota de repúdio em seu perfil no Facebook:

“- […] Compreendemos que a violência sofrida se caracteriza como uma agressão com total característica de homofobia, motivada pela simples aversão a orientação sexual do outro. Diante disso, em nome da UNA LGBT Chapecó, prestamos nosso total apoio a Eduardo e sua família.

Esperamos que os órgãos competentes não percam sua missão de investigar e punir, dentro da lei, os responsáveis por mais um ato violento e cruel. Também esperamos que todo o segmento reflita criticamente sobre o corrido e proponha soluções para que casos de discriminação em nosso município não ocorram mais. […].

A nota finalizou com uma hashtag #SOMOSTODOSEDUARDO.”

Segundo a PM, assim que registrado, o fato deverá ser investigado.