EUA vão anunciar à Rússia saída de tratado de controle de armas nucleares

Washington quer mais liberdade para enviar armas para a região do Pacífico, por causa da China

O governo Trump planeja informar a Rússia na próxima semana que está se preparando para sair do Tratado das Forças Nucleares de Alcance Intermediário , conhecido como Tratado INF, segundo informações de autoridades americanas e diplomatas estrangeiros.

O presidente Donald Trump está se movimentando para deixar o tratado de três décadas sob a alegação de que a Rússia vem violando-o, e porque o acordo impede que os Estados Unidos enviem novas armas para a região do Pacífico, onde pretendem se contrapor ao crescente arsenal de armas de alcance intermediário da China.

A Casa Branca disse que nenhuma decisão oficial foi tomada para deixar o tratado assinado em 1987 por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev. Na época, foi considerado um passo importante na redução das tensões da Guerra Fria.

Nas próximas semanas, Trump deve assinar a decisão, que marcaria a primeira vez em que ele descartou um importante tratado de controle de armas. Em 2002, outro presidente republicano, George W. Bush, retirou os Estados Unidos de um acordo de desarmamento nuclear com a Rússia, o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM).

Durante uma viagem a Moscou no início da próxima semana, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John R. Bolton, vai alertar o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a saída dos Estados Unidos do pacto.

Nos últimos quatro anos, os Estados Unidos vêm alegando que a Rússia estaria violando o acordo por instalar uma série de armas nucleares táticas em represália ao ingresso na Otan, a aliança militar ocidental, de países que antes pertenciam ao bloco soviético. Com a saída do ABM, os Estados Unidos implantaram sistemas antimísseis no Leste da Europa.

O então presidente Barack Obama, no entanto, optou por não sair do acordo, não querendo provocar uma renovada corrida armamentista.

*Com informações O Globo