Zagueiro Neto rebate críticas do jornalista Rica Perrone sobre a Chapecoense

“Venha entender como foi montado esse time novo e como funciona futebol”, escreveu Neto em sua página oficial do Facebook.

Imagem utilizada por Rica Perrone para ilustrar o post publicado em seu blog (Reprodução)


O zagueiro Neto, sobrevivente da tragédia aérea do voo da Lamia, publicou em seu Facebook, na fim da manhã de hoje um post, rebatendo as críticas do jornalista e blogueiro Ricardo Perrone. Rica, como é conhecido, afirmou que “a Chapecoense teve a chance de ser diferente. De se fazer especial. Se fez apenas vítima”.

O jornalista ainda escreveu, no post intitulado “Chapecoense e o desperdício”, que “passado quase um ano da tragédia, a Chape ainda é um clube pequeno que briga pra não cair, e nada mais. Rica Perrone termina o texto afirmando que “a tragédia obrigou a Chape a mudar. Ela resolveu se refazer pequena, como era até o dia do acidente. E como pretende ser pra sempre”.

Diante da publicação do jornalista, o zagueiro Neto, que ainda realiza tratamento para voltar aos gramados, defendeu o Clube catarinense. Em um post, publicado no fim da manhã de hoje em sua página oficial do Facebook, ele rebate às críticas do jornalista. 

“Esse cidadão acha que sabe de futebol. Esse rapaz escreve que a Chapecoense jamais será grande e será pequena como era na tragédia. Um time pequeno que venceu o Inter de goleada em 2014 (5 a 0), que venceu o Palmeiras de goleada em 2015 (5 a 1) e até mesmo foi eliminado na Sul-americana em 2015 pelo campeão da Libertadores (River Plate), mas venceu o jogo em Chapecó com autoridade e merecia até um resultado melhor (2 a 1). Como esse time que em 2016 foi campeão Estadual e estava em decidindo uma Sul-americana seria pequeno? Será que esse rapaz que escreve até bons textos não percebeu como esse time estava crescendo?”, questionou Neto.

O jogador da Chapecoense ainda fez um convite para o jornalista. “Rica Perrone, fica aqui o convite do Clube para que você veja como é difícil montar um time e veja os resultados de antes da tragédia que a Chapecoense teve. Talvez, você estudando consiga ver o crescimento que a Chapecoense estava obtendo. Esperamos sua visita e será muito bem-vindo”, finalizou Neto.

Texto do jornalista Ricardo Perrone*

Ninguém deseja um acidente, nem mesmo relativiza a dor das perdas. Mas aconteceu, e quando aconteceu a Chapecoense ganhou um status mundial que jamais atingiria pelo futebol em campo.

Por consequência de sua tragédia, o futebol se mobilizou e emocionou o planeta. A Chapecoense saia de Chapecó para virar um símbolo de fair Play, respeito, amizade, tudo que há de mais bonito e que as vezes falta ao futebol.

Cheguei a apostar que o clube enxergaria isso e faria disso um conceito. E deste conceito sua marca.

Passado quase um ano da tragédia, a Chape ainda é um clube pequeno que briga pra não cair, e nada mais.

Um desperdício inacreditável, que  qualquer boa cabeça de marketing adoraria ter tido em mãos, mas sabe-se lá se por incompetência técnica, administrativa ou mero rigor estatutário, não deu passo algum.

O clube não criou nada. Não eternizou seu luto, não simbolizou a paz, o respeito e o fair play que o planeta viu naquela situação. Virou apenas um time vítima de tragédia, nada mais do que isso.

Encheu suas redes socais e também não fez nada demais com isso.

“O que você faria?”

Se eu fosse presidente da Chape transformaria o clube num conceito. A Chape seria o time que representa o futebol e seus valores no mundo. O clube que rejeita pênalti mal marcado. O clube que recebe bem, que visita com respeito.

Ali não jogaria qualquer bad boy pelos próximos 100 anos. Seria uma filosofia. Porque um clube grande, pelo campo, ela jamais será. E perdeu a chance de ser um simpático clube de todos.

“Mas Rica, oportunidade em tragédia?”.

Sim. Você toma decisões e rumos radicais especialmente quando obrigado. E a tragédia obrigou a Chape a mudar. Ela resolveu se refazer pequena, como era até o dia do acidente. E como pretende ser pra sempre. Uma pena.

*Algumas palavras foram alteradas em virtude das regras gramaticais, de modo a não ferir qualquer sentido do texto. O post original pode ser acessado neste link.

Resposta do zagueiro Neto*

Esse cidadão acha que sabe de futebol. Esse rapaz escreve que a Chapecoense jamais será grande e será pequena como era na tragédia. Um time pequeno que venceu o Inter de goleada em 2014 (5 a 0), que venceu o Palmeiras de goleada em 2015 (5 a 1) e até mesmo foi eliminado na Sul-americana em 2015 pelo campeão da Libertadores (River Plate), mas venceu o jogo em Chapecó com autoridade e merecia até um resultado melhor (2 a 1). Como esse time que em 2016 foi campeão estadual e estava em decidindo uma Sul-americana seria pequeno? Será que esse rapaz que escreve até bons textos não percebeu como esse time estava crescendo? Será que esse rapaz realmente acha que é fácil montar um time após uma tragédia onde morrem jogadores, comissão técnica, diretoria quase inteira e muitos outros funcionários que faziam parte do sucesso do time? Todos tem o direito de opinar em relação a Chapecoense, agora querer falar que a Chape era pequena antes e continua pequena agora é escrever sem profissionalismo algum uma grande bobagem e viver num mundo onde o futebol está somente na televisão. Venha conhecer a cidade de Chapecó e a Chapecoense, e venha entender como foi montado esse time novo e como funciona futebol. Rica Perrone, fica aqui o convite do clube para que você veja como é difícil montar um time e veja os resultados de antes da tragédia que a Chapecoense teve. Talvez você estudando consiga ver o crescimento que a Chapecoense estava obtendo. Esperamos sua visita e será muito bem-vindo.

*Algumas palavras foram alteradas em virtude das regras gramaticais, de modo a não ferir qualquer sentido do texto. O post original pode ser acessado neste link.

Rica Perrone, jornalista carioca que criticou a postura da Chapecoense após a tragédia aérea da Colômbia (Reprodução)