Rafael Henzel relembra o último Chapecoense e Botafogo

Caio Jr comandou a última vitória da Chape fora de casa em 2016

O sol estava forte no bairro de Copacabana onde ficávamos em quase todos os jogos no Rio de Janeiro. Às 14h30 saí do hotel para a Ilha do Governador. Lá, no estádio Luso Brasileiro, a Chapecoense jogaria a partida de 35 do Campeonato Brasileiro. A partida era 21h, mas gostava de chegar cedo, conhecer os estádios que não conhecia. Ventava demais. Minha posição era no alto, acima das cabines de televisão. 17h50, começou o programa GOLAÇO na OESTE CAPITAL FM.

Era um jogo cercado de muita expectativa. A Chapecoense, como em todos os anos, sempre buscava pontuação para permanência na SÉRIE A. Ali chegava o grande momento. Coroar um ano que começou com Guto Ferreira e muito bem comandando na sequência pelo eterno Caio Jr.

Lembro que em minhas pesquisas pré-jogo, o Botafogo vinha de uma sequência de sete jogos invictos e estava numa crescente. Era muito difícil vencer o time carioca pelo histórico dos jogos na Ilha. Desde metade de Setembro o Botafogo não perdia em casa. Durante a Voz do Brasil o time chegou. Como sempre estava por ali, mas naquele dia por um motivo especial. Queria falar com Anderson Paixão. O preparador físico da Chape voltava direto de um jogo da Seleção pelas Eliminatórias para o vestiário do Verdão. Falamos da seleção, da Chape.

No jogo, uma Chape confiante. O primeiro jogo foi controlado e Kempes fez o primeiro gol, de cabeça. Camilo, ex-Chapecoense ainda acertou a trave em cobrança de falta. No segundo, o Bota veio com tudo e a Chape fechou o placar no contra ataque com Sérgio Manoel. Uma vitória espetacular. Camilo ainda acertou a trave mais uma vez. 49 pontos. Chape mais do que garantida na Série A de 2017.

Antes do time embarcar no ônibus e voltar ao hotel, reuni os dois jogadores que marcaram. Kempes ria quando eu usava o bordão “Kempes, Nunca Critiquei”. Era um meme que levei pra narração depois que ele começou mal a temporada e deu uma guinada na Chape. O Sérgio começou bem a temporada, perdeu espaço e fez um gol de atacante, mesmo,sendo um volante marcador. Ele também ouviu o gol e acho que gostou.

Já estava seguindo meu caminho quando reparei os treinadores conversando. Caio Jr e Jair Ventura, dois técnicos com times desacreditados no início, estavam fazendo, cada um com seu objetivo, um grande Brasileirão. Pedi licença para registrar. Jair, obviamente, não estava satisfeito como mostra a foto. Já Caio Jr estava feliz. A Chapecoense cumpria a missão. Aqueles heróis levavam a Chape para mais um ano na elite do futebol Brasileiro. Caio Jr nos deixaria menos de duas semanas depois. Uma pessoa simples, agregadora. A ele e aos demais lutadores daquele campeonato, meu respeito e minha gratidão, eterna.

Caio Jr, técnico da Chapecoense, e Jair Ventura, do Botafogo, juntos após a vitória do Verdão (Rafael Henzel)