Dólar fecha em queda, de olho no exterior e em passos do novo governo

Mercado espera nomes da equipe econômica do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro

O dólar fechou em queda nesta quarta-feira (7) com o mercado monitorando o resultado das eleições legislativas nos EUA e o noticiário político doméstico.

A moeda norte-americana recuou 0,53%, vendida a R$ 3,7384. Na mínima do dia, o dólar foi a R$ 3,7228 e, na máxima, a R$ 3,7878.

O Partido Democrata conquistou a maioria da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pela primeira vez em oito anos. O resultado das eleições legislativas significa uma derrota parcial para o presidente Donald Trump já que o seu partido, o Republicano, ampliou sua vantagem no Senado.

Desta forma, a oposição terá a habilidade de investigar as declarações fiscais de Trump, possíveis conflitos empresariais de interesse e alegações envolvendo a campanha do presidente em 2016 e a Rússia, destacou a Reuters. Os deputados também poderão impedir Trump de construir um muro na fronteira com o México, de aprovar um segundo grande pacote de cortes fiscais e de aplicar mudanças nas políticas comerciais.

Sem novos cortes de impostos, é provável que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) tenha menos trabalho para conter a trajetória de alta da inflação, o que pode esvaziar as apostas sobre aumento de juros.

O banco central norte-americano anuncia na quinta-feira (8) sua decisão sobre a política monetária, mas a expectativa é de que um novo aumento só ocorra em dezembro. O Fed já elevou os juros três vezes neste ano e outras cinco altas são esperadas até o início de 2020.

“Havia quase certeza sobre essas três altas de juros (esperadas para 2019), agora pode ser menos do que isso”, comentou a economista da Spinelli Camila de Caso.

Novo governo

Nesta quarta, o presidente eleito Jair Bolsonaro teve sua primeira reunião no Palácio do Planalto com o atual presidente Michel Temer.

Na terça, o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, declarou que o novo governo vai sondar a atual legislatura do Congresso Nacional para ver se é possível aprovar o texto da reforma da Previdência apresentado por Temer.

“O mercado quer traçar cenários, saber logo quem é governo. A ausência de novidades tanto em relação ao comando do BC, como do governo de maneira geral, ajudou o dólar a flutuar para cima”, avaliou a estrategista de câmbio do banco Ourinvest, Fernanda Consorte, em entrevista concedida para a Reuters.

O Banco Central vendeu nesta sessão 13,6 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 2,72 bilhões do total de US$ 12,217 bilhões que vence em dezembro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

*Com informações G1