Eu te amo, mas ninguém pode saber - relacionamentos com "limitações" sociais - ClicRDC | Notícias de Chapecó e região

Eu te amo, mas ninguém pode saber – relacionamentos com “limitações” sociais

Neste dia dos namorados nem todos podem expressar seu amor sem sofrer por isso



“Meu nome é Tairique Augusto Toffolo, sou natural de Lajeado Grande-SC, hoje tenho 22 anos, e me assumi sobre a questão da minha orientação sexual para minha família há praticamente uns 4 anos, recém havia me mudado para Chapecó.”

“Meu nome é Gabriel Bruno de Oliveira, sou natural de Laguna – SC, hoje tenho 21 anos, e assumi minha homossexualidade para a minha família em 2014. Eu ainda tinha 17 anos.”

Tairique e Gabriel são um exemplo de casal que algum dia precisou assumir mais do que o relacionamento. Os dois precisaram lidar com a insegurança do preconceito pra afirmar seu amor e ser quem são. Desde o começo do relacionamento a aceitação fez com que eles se sentissem protegidos e amparados, e hoje vivem seu amor livres de quaisquer preconceitos em família.

“Apresentei ele como um amigo, e passamos um dia juntos. Passado esse dia, eu voltei para minha casa em Joaçaba, e o Tairique voltou a Chapecó. Uma semana depois, uma amiga que conheci em Joaçaba, chamada Daiana, para os íntimos “Daia”, que também conhecia minha mãe, me contou que minha mãe havia falado pra ela que já sabia que eu estava namorando com outro homem, e que pelo fato de ter gostado muito de ter conhecido meu suposto “amigo”, me aceitaria sem problema algum.” (Gabriel)

A cumplicidade fez com que um confiasse nos sonhos do outro e, hoje, o casal mora em Criciúma, onde Tairique cursa especialização na área da gastronomia. Neste dia dos namorados, assim como qualquer casal apaixonado, Tairique e Gabriel comemoram sua história de amor.

 

 

No entanto, nem todos conseguem comemorar o dia dos namorados do jeito que gostariam. Ana e Clara são um casal, como tantos outros (os nomes foram alterados para preservar suas identidades). O dia dos namorados das duas – que, na verdade, é “dia das namoradas”- é cheio de amor, buquê de flores, café da manhã na cama e todos aqueles agrados típicos dos casais nesta data.  Mas essas demonstrações ficam apenas entre quatro paredes. Fora de casa, elas precisam se comportar apenas como duas amigas – o que também são.

Elas tem o desejo de sair de mãos dadas, por exemplo, como qualquer casal faria, mas elas “não podem”. A mãe de Clara entende que seria humilhante se alguém soubesse que a filha mantém um relacionamento homoafetivo. Aliás, foi isso que dona Salete disse quando soube da orientação sexual da filha: “Seus tios jamais podem saber disso.”

Mas o amor é indiferente às vontades da sociedade. Mesmo com a rejeição da mãe, que provoca brigas frequentes, Clara não é capaz de mudar o que sente por Ana. Mesmo que Clara tenha tentado ser uma pessoa considerada “normal”, não deu certo. 

Até os 22 anos de idade, Clara não sabia o que era gostar de uma menina. Sabia que devia gostar de meninos, e começou a namorar com um garoto aos 13 anos de idade. Jovem, Clara não sabia o que era amar, e com o garoto não pôde conhecer esse sentimento. Anos mais tarde, descobriu o que é o amor de verdade, e quem lhe ensinou isso foi Ana. O amor das duas aumenta e se fortalece a cada dia.

As duas se conheceram há mais de dois anos e, muito diferente do que se pode imaginar, não foi amor à primeira vista. “Entre tapas e beijos”, elas começaram a namorar e a conviver diariamente. Hoje, almejam um passo maior, em breve pretendem juntar as escovas de dente. 

Ana também já passou pelo obstáculo de “ter que se assumir para a família”, foi uma época difícil, mas hoje, todos convivem bem com a sua condição. Clara é bem vinda na casa da sogra, diferentemente de Ana, cujo nome nem pode ser pronunciado perto da mãe de Clara. 

Em meio às barreiras sociais, o casal comemora o dia 12 de junho do seu jeito, com as suas demonstrações de amor.